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sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

3 - A queda do homem



Texto base Gn 3

            O escritor William Shakespeare, entre os anos de 1591 e 1595, escreveu o livro Romeu e Julieta. Essa tragédia fala sobre dois adolescentes que por não poderem se amar cometem suicídio.

            A bíblia também conta a história de uma grande tragédia que ocorreu no início da humanidade. Ela ficou conhecida como a “queda do homem”. Eva, enganada pela serpente, come o fruto proibido e dá ao seu companheiro Adão que, possivelmente por amor a Eva, também come para os dois morrem juntos. Contudo, esse ato de desobediência traz consequências horríveis não só ao casal, mas a toda vida terrestre.
            Todavia, a bíblia não é o único local que podemos encontrar o relato da queda do homem. Com algumas diferenças, foram encontrados no mundo inteiro, principalmente na mesopotâmia, relatos que contam a mesma história. Entre os achados está o selo mesopotâmico da tentação, datado de 2300 a.C., que mostra um casal ao sentado próximo de uma arvore e uma serpente por detrás deles. Isso mostra que o relato da queda do homem veio da mesma fonte dos outros relatos, mas Moises inspirado por Deus conseguiu separar a verdade no meio de tantos erros e escreveu a história verdadeira.
            A queda do homem está escrita no capítulo 3 do livro de Gênesis. Ele e os capítulos 2 e 4 fazem parte do mesmo “toledot”, ou seja, da mesma história sendo dividida, nesse caso, em 3 partes: o detalhamento a criação da humanidade, a queda do homem e Cain e Abel.
            O capitulo três pode ser visto como o capitulo divisor entre a criação pura e a criação contaminada pelo pecado. Dessa forma, a divisão destes três relatos será a seguinte: a natureza pura, a contaminação do pecado e as primeiras consequências do pecado. Diante dessas considerações iniciais vamos abordar agora as partes mais importantes do texto.

A serpente

            “Ora, a serpente era o mais astuto de todos os animais selvagens que o Senhor Deus tinha feito. E ela perguntou à mulher: "Foi isto mesmo que Deus disse: ‘Não comam de nenhum fruto das árvores do jardim’? " Gn 3:1
            Em todas as partes do mundo as serpentes possuíam um papel de destaque, alguns povos as tinham como deusas, mas as mais antigas civilizações as tinha como adversarias dos homens e muitas vezes até dos deuses. Um desses mitos é o Rá e o demônio Apofis o qual Rá tem que lutar todas as noites para fazer o sol nascer.
            Hoje, ao lermos o texto associamos a serpente a Satanás. Isso acontece porque o livro do Apocalipse 12:7-9 diz: “Então houve guerra no céu: Miguel e os seus anjos batalhavam contra o dragão. E o dragão e os seus anjos batalhavam, mas não prevaleceram, nem mais o seu lugar se achou no céu O grande dragão foi lançado fora. Ele é a antiga serpente chamada diabo ou Satanás, que engana o mundo todo. Ele e os seus anjos foram lançado à terra”.
            O pecado não se iniciou na terra, mas no céu muito antes do ser humano existir. A pergunta que normalmente vem é por que Deus permitiu que o pecado surgisse? Podemos tentar dar várias explicações para isso, mas apenas um possui 100% de embasamento bíblico. É o que está escrito em Dt 29: 29 “As coisas encobertas pertencem ao Senhor nosso Deus, mas as reveladas nos pertencem a nós e a nossos filhos para sempre, para que observemos todas as palavras desta lei”. Deus não nos revelou, então não devemos especular para não cair em erro.

Dialogo de Eva e a serpente (Gn 3: 1-5)

“Ora, a serpente era o mais astuto de todos os animais do campo, que o Senhor Deus tinha feito. E esta disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim? Respondeu a mulher à serpente: Do fruto das árvores do jardim podemos comer, mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Não comereis dele, nem nele tocareis, para que não morrais. Disse a serpente à mulher: Certamente não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que comerdes desse fruto, vossos olhos se abrirão, e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal.”

            Satanás distorce as palavras de Deus dizendo “não comereis de toda arvore do jardim” para que Eva fosse induzida a iniciar um diálogo com ele. Essa tem sido a estratégia de Satanás através dos séculos, fazer com que os filhos de Deus dialoguem com ele ao invés de resisti-lo e aos poucos ele vai sondando até encontrar uma brecha para que eles caiam em suas armadilhas.
            Eva cometeu vários erros entre eles estão: afastar-se de Adão, entrar em diálogo com a serpente e aumentar as palavras de Deus. Como auxiliadora de Adão ambos deveriam estar sempre juntos, como ela estava só foi uma presa fácil para satanás e ele viu uma brecha quando ela aumentou as palavras de Deus dizendo “ nem tocaras”.
            Satanás coloca o caráter de Deus em dúvida chamando-o de mentiroso ao dizer “certamente que não morrereis”, ele acusa-o de querer impedir o crescimento intelectual de seus filhos e induz Eva a cometer o mesmo pecado que ele cometeu no céu, querer ser igual a Deus.

Adão e Eva comem o fruto (Gn 3: 6,7)

“Então, vendo a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, tomou do seu fruto, comeu, e deu a seu marido, e ele também comeu. Então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus; pelo que coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais.”

            Eva desejou o fruto. A palavra utilizada para “desejável” é a mesma no hebraico utilizada para cobiçar nos dez mandamentos (Êx 20: 17). A partir daí Eva não era mais inocente, Jesus ensinou que pecado não é só ato, mas também pensar em fazê-lo (Mt 5:28). Contudo, o pecado só se consumou quando ela comeu o fruto.
            Adão teve que tomar uma decisão poderia não comer do fruto e deixar a pena de morte recair apenas sobre Eva ou comeria e ambos morreriam. Possivelmente, o amor de Adão por Eva foi maior do que por Deus e ele comeu o fruto.
            Apenas depois que Adão comeu o fruto olhos se abriram. Isso pode ter acontecido por dois motivos: primeiro, Deus deu a ordem de não comer do fruto a Adão quando Eva ainda não tinha sido criada (Gn 2:16-17) e segundo, Adão pecou conscientemente, “mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão; ” (1Tm 2:14).
            Após os olhos se abrirem, perceberam que estavam nus e coseram roupas para si (Vs 7). Este verso começa a mostrar as consequências do pecado. No final do capítulo anterior diz que “estavam nus e não se envergonhavam” (Gn 2:25). O pecado os destituiu das vestiduras de pureza e começaram a ater vergonha um do outro.

O jogo da culpa (Gn 3: 8-13)

“E, ouvindo a voz do Senhor Deus, que passeava no jardim à tardinha, esconderam-se o homem e sua mulher da presença do Senhor Deus, entre as árvores do jardim. 9 Mas chamou o Senhor Deus ao homem, e perguntou-lhe: Onde estás? 10 Respondeu-lhe o homem: Ouvi a tua voz no jardim e tive medo, porque estava nu; e escondi-me. 11 Deus perguntou-lhe mais: Quem te mostrou que estavas nu? Comeste da árvore de que te ordenei que não comesses? 12 Ao que respondeu o homem: A mulher que me deste por companheira deu-me a árvore, e eu comi. 13 Perguntou o Senhor Deus à mulher: Que é isto que fizeste? Respondeu a mulher: A serpente enganou-me, e eu comi.”
            Ao final do dia Deus foi visita-los. Como filhos que fazem algo de errado e sabem que vão ser castigados quando o pai chegar em casa, o primeiro casal tentaram esconder-se de Deus. Então Deus pergunta a Adão onde estas? Deus sabia onde Adão estava, mas como sempre, Ele quer que venhamos refletir sobre os nossos erros. Deus queria que Adão refletisse sobre os motivos que fizeram ele se esconder.
            Outras perguntas foram feitas ao casal, desta vez com intuito deles assumirem o erro de terem comido o fruto proibido, mas ao invés de assumir o erro eles jogaram a culpa em Deus dizendo: foi a mulher que tu me deste (vs 12), serpente me enganou (vs 14). Ora, Deus havia criado a serpente, logo Eva também estava colocando a culpa nEle.
            Entretanto, eles fizeram as mesmas coisas que fazemos hoje. Mesmo tendo ciência dos nossos erros tentamos culpar os outros para tentar se livrar da culpa e muitas vezes dizemos ou ouvimos as seguintes frases: é culpa do governo, ela não me dava mais carinho, ele não me fazia sentir-se realizada, se a empresa pagasse melhor não faria isso. Todavia, somente nós somos culpados pelo que fazemos. Devemos ter em mente que a carne é fraca, mas o pecado não é vitamina.

Maldição e esperança (Gn 3:14-19)

Então o Senhor Deus disse à serpente: Porquanto fizeste isso, maldita serás tu dentre todos os animais domésticos, e dentre todos os animais do campo; sobre o teu ventre andarás, e pó comerás todos os dias da tua vida. Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua descendência e a sua descendência; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar. E à mulher disse: Multiplicarei grandemente a dor da tua conceição; em dor darás à luz filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará. E ao homem disse: Porquanto deste ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da árvore de que te ordenei dizendo: Não comerás dela; maldita é a terra por tua causa; em fadiga comerás dela todos os dias da tua vida. Ela te produzirá espinhos e abrolhos; e comerás das ervas do campo. Do suor do teu rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, porque dela foste tomado; porquanto és pó, e ao pó tornarás.

            Deus profere três maldições e uma esperança nesses textos. A primeira maldição é direcionada a serpente, a partir de então ela começa a rastejar. A bíblia não descreve como era a forma física da serpente antes disso. Alguns relatos mesopotâmicos trazem a serpente com pernas e até mesmo com asas como é o caso da “confissão de Gudea e sua esposa perante o deus Enki. Há alguns anos também foi encontrado o fóssil de uma cobra com patas o comprova o relato bíblico de que em algum momento a serpente locomovia de outra forma.
            A segunda maldição foi proferida contra a mulher. Deus multiplicaria os sofrimentos da gravidez, não que ela já tivesse, mas é uma forma de dizer que as dores seriam a partir de então muito intensas. As dores do parto são tão intensas que em várias partes da bíblia o parto simboliza severa angustia (Mq 4:9,10). A mulher desejaria intensamente o seu marido e ele governaria a mulher, ou seja, ela deixaria de ter uma posição igual a homem para assumir uma posição um pouco menor, o homem seria a partir de então o chefe da família, mas da mesma forma que um rei deve amar e proteger o povo que governa, o homem também deve amar e proteger a mulher. Pensando nisso Paulo escreveu: “Maridos, amem suas mulheres, assim como Cristo amou a igreja e entregou-se a si mesmo por ela”(Ef 5:25).
            A terceira maldição é voltada ao homem. Por causa dele a terra seria maldita, brotaria plantas com espinho. Esse texto se contrapõe a Gn2:5 “ainda não tinha brotado nenhum arbusto no campo, e nenhuma planta havia germinado, porque o Senhor Deus ainda não tinha feito chover sobre a terra, e também não havia homem para cultivar o solo”. Dessa forma, o autor está dizendo como surgiram estas coisas. O homem trabalharia duro para o sustento da família agora eles teriam a certeza que morreriam pois ao pó voltaria.
            Entretanto, Deus deu uma esperança. Ele falou a Adão que o descendente da mulher esmagaria a cabeça da serpente. Essa é a primeira profecia e é conhecida como o protoevangelho (primeiro evangelho). Aquele que foi ferido no calcanhar pela serpente, ressuscitou e agora está no céu nos preparando uma morada (Jo 14:1-3) e logo virá outra vez. Ele mesmo falou: “Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que morra, viverá;” (Jo 11:25). Paulo reafirmou a certeza da ressurreição quando escreveu: “Eis aqui vos digo um mistério: Nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos serão ressuscitados incorruptíveis, e nós seremos transformados” (1Co 15:51-52). Logo, mesmo que voltemos ao pó, teremos a certeza que ressuscitaremos e poderemos dizer as mesmas palavras de Jó que foram estas: “Pois eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra E depois de consumida a minha pele, ainda em minha carne verei a Deus. Vê-lo-ei por mim mesmo, e os meus olhos, e não outros, o verão; e, por isso, o meu coração se consome dentro de mim.” (Jó 19:25-27).

Últimos momentos no Éden (Gn 3:20-24)

“E chamou Adão o nome de sua mulher Eva, porquanto ela era a mãe de todos os viventes. E fez o SENHOR Deus a Adão e a sua mulher túnicas de peles e os vestiu. Então, disse o SENHOR Deus: Eis que o homem é como um de nós, sabendo o bem e o mal; ora, pois, para que não estenda a sua mão, e tome também da árvore da vida, e coma, e viva eternamente, o SENHOR Deus, pois, o lançou fora do jardim do Éden, para lavrar a terra, de que fora tomado. E, havendo lançado fora o homem, pôs querubins ao oriente do jardim do Éden e uma espada inflamada que andava ao redor, para guardar o caminho da árvore da vida.

            Adão, possivelmente, confiando na promessa de que da descendência da mulher viria o seu redentor, nomeou-a de Eva.
            Deus fez roupas para eles com pele de animal, talvez esse tenha sido o primeiro sacrifício.
            Para impedir que o homem se torne um pecador imortal e assim perpetuasse para sempre o pecado, Deus os expulsou do jardim e colocou um anjo para proteger a entrada. Contudo, Deus expulsou-os do jardim, mas irá dar para eles uma cidade.

“E vi um novo céu e uma nova terra. Porque já se foram o primeiro céu e a primeira terra, e o mar já não existe. E vi a santa cidade, a nova Jerusalém, que descia do céu da parte de Deus, adereçada como uma noiva ataviada para o seu noivo. E ouvi uma grande voz, vinda do trono, que dizia: Eis que o tabernáculo de Deus está com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e Deus mesmo estará com eles. Ele enxugará de seus olhos toda lágrima; e não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem lamento, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas. E o que estava assentado sobre o trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E acrescentou: Escreve; porque estas palavras são fiéis e verdadeiras. Disse-me ainda: está cumprido: Eu sou o Alfa e o Ómega, o princípio e o fim. A quem tiver sede, de graça lhe darei a beber da fonte da água da vida. Aquele que vencer herdará estas coisas; e eu serei seu Deus, e ele será meu filho” (Ap 21:1-7).

As vezes Deus não nos dá algo queremos para dar algo melhor mais na frente. Talvez Deus não tenha te dado o emprego que queria ou a casa que queria. Talvez você tenha pedido tanto, orado durante vários dias, mas Deus não atendeu. Não desanime, Deus tem algo melhor para você, pois os planos de Deus são infinitamente maior que os nossos. Espere e logo você verá a benção de Deus cair na sua vida. Basta apenas crer.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

2 a criação do homem



Há alguns anos atrás o relato do Genesis era considerado como uma criação Judaica, alguns chegavam a argumentar que se Adão realmente fosse um ancestral comum, então deveria haver vários povos que afirmasse isso. E quão grande foi a surpresa com a descoberta de vários escritos antigos de outros povos que traziam histórias parecidas com o relato bíblico e algumas com pouquíssimas distinções e o que mais surpreendeu era o nome do primeiro homem, entre esses nomes estão: Adamu, Adime, Adapa, Adumuzi, etc. Esses nomes se assemelham muito com a grafia hebraica “Adam”.
Na Mesopotâmia faram encontrados vários escritos que trazem histórias parecidas com o relato da criação entre eles estão o conto de Enki e Ninhursag que foi escrito no 2º milênio a.C. em que os deuses criam o homem e depois da costela do homem faz a mulher.
Fora da Mesopotâmia, a mitologia grega conta que Prometeu criou um boneco feito de argila molhada com agua do rio e Atena soprou no boneco o espirito, o folego de vida e Zeus cria a mulher como forma de punir o homem.
O que esses relatos mostram é que Adão realmente existiu e foi o primeiro homem e muitas culturas preservaram isso, mas cada uma conta a sua versão da história e Moises escreveu o relato original.
O capitulo dois de gênesis tem sido chamado por alguns de segundo relato da criação. Para eles o capitulo 1 e 2 foram escritos por pessoas diferentes e isso levou aos dois relatos terem alguns problemas. Estes problemas são:

1.    As introduções dos dois capítulos começam referindo-se a criação então qual seria o relato original?
Gn 1:1 - No princípio criou Deus os céus e a terra.
Gn 2:4 - Eis as origens dos céus e da terra
2.    No capítulo 1 a criação foi em 6 dias mais o sábado, enquanto no capítulo 2 tudo foi criado em um só dia.
Gn 1:5,8,13,19,23; 2:1-3
Gn 2:4 – No dia em que o Senhor Deus fez a terra e os céus
3.    A terra está coberta por água no Capitulo 1, já no capitulo 2 a terra é um deserto.
Gn 1:2 A terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo, mas o Espírito de Deus pairava sobre a face das águas.
Gn 2:5 - não havia ainda nenhuma planta do campo na terra, pois nenhuma erva do campo tinha ainda brotado; porque o Senhor Deus não tinha feito chover sobre a terra, nem havia homem para lavrar a terra.
4.    A criação envolve o cosmo com a criação do sol da lua e das estrelas no capitulo 1 (1:1, 14,15; 2:1), enquanto no capitulo 2 o relato é voltado apenas para a terra (2:5).
5.    Os animais foram criados antes do homem no capitulo 1 (1:20-25) e já no capitulo 2 o homem foi criado antes dos animais
Gn 2:7 - E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou-lhe nas narinas o fôlego da vida; e o homem tornou-se alma vivente.
Gn 2:18-20 - Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora que lhe seja idônea. Da terra formou, pois, o Senhor Deus todos os animais o campo e todas as aves do céu, e os trouxe ao homem, para ver como lhes chamaria; e tudo o que o homem chamou a todo ser vivente, isso foi o seu nome. Assim o homem deu nomes a todos os animais domésticos, às aves do céu e a todos os animais do campo; mas para o homem não se achava ajudadora idônea.
6.    Os animais fazem parte do plano cósmico da criação no capítulo 1 (1:11-31), mas no capítulo 2 eles foram criados para o homem (2:18-20).
7.    Cabe o homem governar o mundo no capitulo 1, contudo no capitulo 2 apenas o Éden.
Gn 1:28 - Então Deus os abençoou e lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos; enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra.
Gn 2:15 - Tomou, pois, o Senhor Deus o homem, e o pôs no jardim do Édem para o lavrar e guardar.
8.    No capítulo 1 o homem e a mulher são criados simultaneamente, enquanto no capitulo 2, primeiro o homem e depois a mulher.

Gn 1: 17,18 - E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais domésticos, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se arrasta sobre a terra. Criou, pois, Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.
Gn 2:18 Disse mais o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora que lhe seja idônea.
9.    Não se dá nomes as criaturas no capitulo 1 (1: 20-25), todavia no capitulo 2 Os animais são nomeados por Adão (2:20-23)
10.  No capítulo 1 somente Deus fala (1:3-30), mas no capitulo 2 o homem também fala (2:23)

E agora? Existem diferença sim ou não? Houve realmente uma criação? Se sim qual é o verdadeiro relato?
Infelizmente, devido ao tempo não poderemos abordar profundamente cada um desses pontos, mas trataremos alguns deles.
Primeiramente, existe um pensamento equivocado de que Gn 2 seja um segundo relato da criação. Este capitulo, na verdade, é o início do detalhamento da história da criação do mundo.
A palavra que inicia o relato de Gn 2 é a “toledote” (תלדה) que pode significar gerações ou histórias. Se essa palavra aparecesse apenas em Gn 2 poderíamos dizer que ele seria um segundo relato da criação, mas como aparece várias vezes e sempre no início de um novo relato, então ela significa uma nova fase da história.
Dessa forma, podemos dizer que de Gn 2:4-4:26 é uma única história que é dividida em três partes o detalhamento da criação do homem e da mulher, a queda do homem e Caim e Abel.
Segundo, Gn 2:5 não descreve a situação da terra antes da criação, mas o estado da terra antes do pecado. O texto segue a seguinte estrutura a terra antes do pecado, (a criação da humanidade), depois do pecado (expulsão do Éden) e consequências do pecado (Caim e Abel). E ao analisarmos os detalhes do capitulo 2:5 podemos perceber que o autor tenta se remeter ao estado antes do pecado fazendo ligação com o presente. Assim está o texto: “não havia ainda nenhuma planta do campo na terra, pois nenhuma erva do campo tinha ainda brotado; porque o Senhor Deus não tinha feito chover sobre a terra, nem havia homem para lavrar a terra.” (Gn 2:5)
A palavra no original para “planta do campo” é “Siar hasader” que se refere a espinho e a brolho e uma expressão semelhante é utilizada em Gn 3:18 após a queda quando se referindo a terra Deus disse: “Ela te produzirá espinhos e abrolhos”.
A expressão “erva do campo” (2:5) é um paralelo com “erva do campo” de (3:18). A expressão “chover pela terra” (2:5) aparece novamente em 7:4 e 10-12 se referindo ao diluvio, pois a primeira vez que choveu foi no diluvio. E por fim a expressão “homem para lavrar a terra” (2:5) está se referindo a maldição do homem (3:23) porque a partir da li o homem começou a lavrar a terra.
O autor estaria dizendo o seguinte: Esta é a história de quando Deus criou os céus e a terra e nesse tempo não existia espinho e nem pragas do campo, ainda não chovia e o homem ainda não lavrava a terra e vou contar como essas coisas vieram a existir.
Outro ponto em que se baseiam os que defendem que são dois relatos da criação é o fato deles serem independentes. Contudo, os dois relatos são independentes porque o segundo detalha algo que aconteceu no primeiro. Como também aconteceu com a ida e Jacó a Padã-arã em que Gn 28:1-9 diz que Jacó foi para lá e 28:10-29:1 descreve como foi durante o percurso. Isso nos revela que o que acontece em gênesis 2 e no relato de Jacó era comum na literatura judaica. Eles diziam algo bem mais abrangente e em seguida detalhavam algum ponto.
Outros aspectos linguísticos e textuais que nos ajudaram são:

1.    A expressão idiomática “no dia” significa “no tempo ou quando” (gn2:4);
2.    O hebraico possui tempos verbais diferentes do português, pois isso a criação dos animais (Gn 2:19) pode ser interpretada como uma ação que ocorreu antes da criação do homem.
3.    O propósito do texto não era dar nomes (Gn 2:19-25), mas mostrar a Adão que ele necessitava de uma companheira e ele fica tão feliz ao ver Eva que cita a primeira poesia da bíblia (Vs 23).

O propósito de Genesis 2 é detalhar criação daquele que foi feito a imagem e semelhança de Deus e mostrar que a mulher foi um presente para o homem ao contrário das crenças de vários outros povos em que a mulher era uma espécie de castigo divino.
Deus deixou Adão nomear os animais para sentir a necessidade de uma companheira. Ele ao ver que todos os animais possuíam seus pares sentiu a falta de alguém ao seu lado. Possivelmente, Deus fez isso para que o homem desse valor a mulher, pois agora ele sabia quão triste era viver sozinho.
Deus fez Adão cair em um sono profundo e tirou dele uma costela e formou a mulher (Gn 2: 21,22) e quando viu a mulher com uma grande alegria canta a primeira poesia da bíblia “Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; ela será chamada varoa (isshah), porquanto do varão (ish) foi tomada”. (Gn 2:23)
Mas o ápice deste capitulo é o verso seguinte que diz: “Portanto, deixará o varão o seu pai e a sua mãe e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne” (Gn 2:24). Esse é o plano original de Deus um relacionamento monogâmico e heterossexual e isso é tão importante que o próprio jesus reafirmou o relato, quando questionado sobre o divórcio, dizendo: “Não tendes lido que o Criador os fez desde o princípio homem e mulher, e que ordenou: Por isso deixará o homem pai e mãe, e unir-se-á a sua mulher; e serão os dois uma só carne? Assim já não são mais dois, mas uma só carne. Portanto o que Deus ajuntou, não o separe o homem” (Mt 19:4-6).
O apostolo Paulo vendo que homem estava se afastando demais dos planos de Deus a ponto de achar que prostituição era normal escreveu: “Vocês não sabem que aquele que se une a uma prostituta é um corpo com ela? Pois, como está escrito: "Os dois serão uma só carne" (1Co 6:16). E o mesmo apostolo compara o mistério do relacionamento de Cristo com sua igreja ao casamento dizendo: “Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe, e se unirá a sua mulher; e serão dois numa carne. Grande é este mistério: digo-o porém a respeito de Cristo e da igreja. Assim também vós cada um em particular ame a sua própria mulher como a si mesmo, e a mulher respeite o marido” (Efesios 5:31-33).

No capítulo 1 o auge dos seres criados é o homem e o auge dos dias da criação é o sábado, já no capitulo 2 o auge é a família. Portanto, o homem deve cuidar destas duas instituições, o sábado e a família, até o retorno de Jesus e a eternidade, Amém.

Referencias
https://www.youtube.com/watch?v=yi2NhEZjK0o

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

1 - A criação



Texto base: Gn 1-2:3
Objetivo: Mostrar o relato da criação com algo verídico e confiável e qual o é o objetivo desse relato.

            O primeiro livro da bíblia é o Genesis (origem ou fonte) recebe esse nome da septuaginta (LXX) que foi uma tradução dos escritos hebraicos para a língua grega feita por 72 sábios. No texto hebraico ele recebe o nome de b’reshith (em princípio) e o Talmude judaico o chama de “Livro da criação do mundo.
            Este livro junto com êxodo, levítico, números e deuteronômio são chamados de pentateucos ou torá (lei) e não trazem o nome do seu autor, contudo a tradição tem atribuído sua autoria a Moises. No novo testamento Jesus chama o livro de Êxodo como o livro de Moises (Mc 12:26) e como ele é continuação de Genesis ambos possuem o mesmo autor.
            Considerando a cronologia bíblica e as evidencias internas de Gênesis é mais provável que o livro tenha sido escrito por Moises em algum momento do século 15 a.C e Moises talvez tenha se utilizado, além de orientação divina histórias, notas, registros e tradições genealógicas da antiga mesopotâmia, retirando a verdade no meio deturpação criada pelos antigos povos. Criando assim “uma história oficial” segundo Deus.
Alguns estudiosos têm se questionado quanto ao estilo de escrita do livro de Genesis, contudo, ela só pode ser prosa poética, pois poesia usa recorrentemente metáforas ao contrario deste livro.
O livro de Gênesis pode ser divido em 12 partes servindo como divisão a palavra “toledote” que significa gerações/ historias e aparecem nos seguintes textos: gn 2:4; 5:1; 6:9; 10:1; 11:10,27; 25:12,19;36.1,9 e 37:2
A primeira parte (Gn 1-2:3) não utiliza a palavra toledote, mas é uma sessão que trata do relato da criação.
O relato da criação tem sido questionado a vários anos quanto a sua veracidade. O principal argumento é a semelhança entre o relato bíblico e os vários mitos mesopotâmicos, dentre os quais o Enuma Elish que foi dividido em 7 tabletes e cada um deles conta uma parte da criação como o Gênesis 1 divide a criação em 7 dias.
Antes das descobertas dos textos mesopotâmico, os críticos diziam que o relato do Genesis era fruto da mente judaica e depois delas vários críticos acusaram os judeus de terem plagiados os mitos dos povos antigos, contudo outros se levantaram e mostraram que não há plagio, mas os relatos vinham de uma tradição antiga comum e não de uma cópia.
Contudo, também há uma grande diferença do relato bíblico com os mitos mesopotâmicos em pontos essenciais. Nos mitos, a criação se dava após uma grande batalha entre deuses e elevava um deus acima dos demais que, na maioria das vezes, criava o homem para ser seu escravo e fazerem coisas que os deuses não queriam. Enquanto o relato bíblico, não começa com uma batalha e apresenta um único Deus que criou o ser humano e colocou-o para governar a terra.
As semelhanças e as diferenças mostram que um relato antigo foi passado de geração em geração até que Moises escreveu fazendo um relato oficial divino.
Infelizmente, muitos ainda tentam invalidar o texto bíblico utilizando uma interpretação alegórica fazendo os relatos de Gênesis 1-11 serem considerados como mitos e adotam o evolucionismo como o meio que Deus trouxe a vida ao planeta e lamentavelmente até cristãos têm se denominados cristãos-evolucionistas.
Mesmo que alguns tentem fazer essas ligações a verdade é que é impossível faze-lo. Pois querendo ou não eles têm que deixar de acreditar de partes da bíblia e colocam questionamentos sobre a base do cristianismo que é a morte redentora de Jesus, pois se a morte já existia, se o relato de Adão e Eva é um mito então não havia motivo para Cristo morrer para salvar a humanidade, pois não houve um pecado original.
O cristão deve interpretar a bíblia como ela é, sem questiona-la e colocar qualquer argumento a luz da bíblia e não o contrário. A bíblia é bem clara: “No princípio criou Deus os céus e a terra” (Gn 1:1). Deus criou e não fez evoluir. Esta deve ser a certeza do cristão, Deus, todo poderoso, criou tudo que existe e os mantem dia após dia.
Hoje veremos o relato da criação que está de Gênesis 1:1 a 2:3. O relato da criação tem diversas repetições importantes como: “disse Deus”, “houve tarde e manhã” e “viu Deus que tudo era bom”. Além disso, ele traz diversas ligações entre os dias criando uma estrutura complexa e muito bem organizada.
Os acontecimentos de cada dia da criação foram:
1ª dia (1:3-5):
a)    Disse Deus: haja (Raiah) luz e ouve (Raiah) luz;
b)    Viu Deus que era bom
c)    Separação (badal) entre (bein) dia e noite
d)     Chama (qara) a luz dia e as trevas noite
e)     “houve tarde e manhã do primeiro dia.
f)     A luz descrita no texto emanava de Deus. E o dia era contado através da rotação da Terra.
2º dia (1:6-8):
a)    Disse Deus: haja (raiar) firmamento (raquia) e ouve separação (badal) entre (bein) aguas e aguas.
b)    Não houve: viu Deus que era bom
c)    Ouve separação (badal) entre (bein) aguas e aguas
d)    Chamou (qara) o firmamento céus
e)    Houve tarde e manhã do segundo dia.
f)     Podemos perceber que é utilizado praticamente os mesmos verbos que são: haja (raia), separar (Badal) entre (bein), chamar (qara). Dessa forma pode-se perceber que há uma intima ligação entre o primeiro e segundo dia.
3º dia (1: 9-13):
a)    Terceiro dia Disse Deus: Ajuntem-se (qavah Ele não utiliza o verbo raiar) as aguas e apareça (Raah a mesma palavra utilizada no primeiro dia em “viu Deus” Raah elohim, veja que Ele não diz haja terra, mas apareça, isso ocorre porque a terra já existia e simplesmente apareceu, tornou –se visível) porção seca (Yabbashah terra seca, sem vida).
b)     Chamou (qara) de Terra (Erets) a porção seca e de mares (Yam) o ajuntamento das aguas, essa é a última vez que esta palavra aparece na criação.
c)    Viu que era bom
d)     Disse Deus: Produza a terra (erets) relva, ervas que deem semente, e árvores frutíferas que, segundo as suas espécies, deem fruto que tenha em si a sua semente, sobre a terra.
e)    E assim foi.
f)      Mais na frente o texto repete “viu (raah) Deus que tudo era bom”. Essa expressão aparece no primeiro dia não aparece no segundo dia, mas aparece no terceiro duas vezes.
g)    Também é usado pela primeira vez “segundo a sua espécie” e “assim foi” que é muito importante.
h)   Repetiu “houve tarde e manhã”, desta vez, do terceiro dia.
4º dia (1: 14-19):
a)    E disse Deus: haja luminares no firmamento do céu,
b)    E assim foi.
c)    O objetivo dos luzeiros era iluminar e ficariam no firmamento.
d)    Também se repete “viu Deus que era bom” e “foi tarde e manhã”.
e)    Objetivo foi mostrar que o sol e a lua são criações e não divindades como os outros povos pensavam.
5º dia (1: 20-23):
a)    Criou as aves e os animais marinhos;
b)    Segundo a sua espécie;
c)    Assim foi
d)    Repete-se “viu Deus que tudo era bom” e “foi tarde e manhã.

6º dia (1: 24-31):
a)     E disse Deus: Produza a terra seres viventes (animais domésticos, répteis, e animais selvagens)
b)    Segundo as suas espécies;
c)    Assim fez
d)     E assim foi. É interessante notar que a terra apareceu no segundo dia e torna-se parceira de Deus na criação das plantas no 3º dia, dos animais terrestres e do homem no 6º dia.
e)    E viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era bom.
f)     Fez o homem e a mulher a sua imagem e semelhança
g)    Viu todo a sua obra, e era muito bom
h)   E foi a tarde e a manhã do sexto dia
7º dia (2:1-3):
a)    Descansou
b)    Abençoou
c)    Santificou

Comparando os dias da criação pode-se perceber ligações entre eles que são:
O primeiro dia, está ligado ao segundo através dos verbos que foram utilizados e também está ligado ao quarto dia com relação a luz que iluminou o primeiro dia e os luzeiros que tinham o objetivo de iluminar.
O segundo dia, está ligado ao primeiro pelos verbos, ao quarto pois os luzeiros foram colocados no firmamento, ao quinto dia porque as aves voaram no firmamento dos céus e os peixes na aguas.
O terceiro dia está ligado ao segundo, porque as aguas do firmamento são chamadas de mares e ao sexto dia, pois as plantas do terceiro dia serviram de alimento para os animais criados no sexto dia.
O quinto dia se conecta com o sexto, pois nesses dias foram criados seres vivente e os dois se conectam com o terceiro dia pela expressão “segundo a sua espécie”.
Essas ligações são importantes para se perceber que há uma progressão em cada dia de uma forma que torna o texto indivisível e um bloco inseparável e muito bem conectado.
Porque é importante conhecermos isso? Simplesmente para conhecermos qual é o objetivo de Genesis 1. Mas para conhecer o objetivo do texto, devemos voltar ao verso 1 e 2.
“No princípio criou Deus os céus e a terra. A terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo, mas o Espírito de Deus pairava sobre a face das águas.
Mas, para compreender o texto devemos conhecer o texto no original, porque existem certos detalhes que só podemos perceber quando olhamos os originais.
Um destes detalhes são as palavras sem forma (תֹ֙הוּ֙) e vazia (וָבֹ֔הוּ). Essas palavras tem o significado de “caos, desolação, deserto”. Essa ideia de toru (תֹ֙הוּ֙) como deserto mostra o inicio do processo.
Algo bem sutil do texto no original que está sendo utilizado em Gn 1 é o “vav” consecutivo. O vav (ו) é o correspondente do nosso “e” quando é usado com o verbo o texto continua normalmente, mas quando é utilizado com um substantivo ou adjetivo pode significar que o texto seguinte irá explicar o texto anterior. E em todo Genesis 1 o vav consecutivo ligado ao substantivo aparece apenas uma vez, o que é até estranho, pois normalmente aparece várias vezes.
O Vav consecutivo aparece em: “e a terra era sem forma e vazia” (וְהָאָ֗רֶץ הָיְתָ֥ה תֹ֙הוּ֙ וָבֹ֔הו ), ou seja, o que vem a seguir disso é uma explicação da terra sem forma e vazia, era desértica, sem vida e isso é importante? Sim, Porque a partir do Gn 1:3, Deus começa a transformar a terra em um lugar habitável, com vida, então, qual o processo que está desencadeando essa pequena explicação que parou o texto? Ele está dizendo o que Deus vai fazer a partir dali. O que ele criou, como criou, porque Ele criou e qual o objetivo do texto. Deus fez algo que não era habitável em algo habitável, Ele fez algo que não tinha vida ter vida.
Então qual o sentido da palavra “bara” (criar) em criou Deus o céu e a terra? É no sentido de transformar algo inabitável em um lugar habitável. Pois como “bara” só é aplicado a Deus, da mesma forma, só Ele pode fazer algo que não tem vida, ter vida. E esse é o processo do texto o que vai culminar na forma mais elevada de vida que é o ser humano. Mas por que o homem? Por que o autor faz questão em dizer que o homem é a imagem e semelhança de Deus? Porque é diferente, tem um diferencial, um processo que culmina em uma forma mais complexa de vida que é a imagem e semelhança de Deus.
Depois de tudo isso, mostrar o que criou, porque criou, como criou e várias repetições no texto ele quebra a estrutura literária para dizer que ele descansou no sábado.
“Assim foram acabados os céus e a terra, com todo o seu exército. Ora, havendo Deus completado no dia sétimo a obra que tinha feito, descansou nesse dia de toda a obra que fizera. Abençoou Deus o sétimo dia, e o santificou; porque nele descansou de toda a sua obra que criara e fizera” (Gn 2: 1-3).
Quando ele quebra a estrutura literária ele chama a atenção para algo muito importante que é o sábado. O sábado é a culminância da semana da criação.

Então qual o propósito de Genesis 1? É mostrar a transformação de algo que era inabitável e foi tornado habitável e principalmente, enfatizar um tempo divino onde o próprio Deus descansou. O livro de Genesis 1:1-31 mostra seis dias da criação e 2: 1-3 mostrar ação de Deus para ele mesmo no sétimo dia, Ele descansa e por isso Ele abençoa e santifica. É por isso que o autor monta uma estrutura que mostra a criação em seis dias e quebra a estrutura para mostrar que há um dia mais importante que os outros que é o sábado o dia que Deus descansou.

https://www.youtube.com/watch?v=jzur7xjqi2M&t=3s