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terça-feira, 1 de dezembro de 2015

O Nome de Deus


Para os judeus, o nome está intimamente ligado à pessoa, indicando seu caráter ou o caráter de seu pai, ou ainda denotando a posição e função de quem traz o nome. Vejamos alguns exemplos:

Jacó - suplantador 
Israel - homem que luta com Deus
Daniel – Deus é meu Juiz
Rafael – Deus Cura
Zaqueu – puro, inocente
Emanuel – Deus conosco

            O seu nome diria muito sobre você e/ou de seus pais, por isso Deus colocou na sua lei que não deveríamos falar o seu santo nome em vão.
            O nome de uma pessoa era algo muito importante, isto podemos ver até fora da bíblia. Vejamos uma pequena história de Alexandre o Grande.
Alexandre o Grande, um dos mais renomados generais militares que já viveu, conquistou quase todo o mundo conhecido da época com seu enorme exército. Certa noite, durante uma campanha, ele estava inquieto e saiu de sua barraca para caminhar pelo acampamento. Enquanto caminhava, acabou encontrando um soldado dormindo no posto de serviço, uma falha grave. A penalidade por dormir em serviço geralmente era a morte.
O soldado começou a acordar à medida que Alexandre se aproximava dele. Notando quem estava à sua frente, o homem temeu por sua vida.
- Você conhece a penalidade por dormir quando está de guarda? - perguntou Alexandre.
- Sim, senhor - respondeu assustado o jovem soldado.
- Soldado, qual é o seu nome? - Exigiu Alexandre.
- Alexandre, senhor.
- Qual é o seu nome? - Ordenou Alexandre novamente.
- Meu nome é Alexandre, senhor - repetiu o soldado.
Alexandre perguntou pela terceira vez, mais alto ainda:
- Qual é o seu nome?
- Alexandre, senhor - respondeu timidamente o soldado.
Alexandre, o Grande, olhou bem nos olhos do jovem e disse:
- Soldado, ou você muda de nome, ou muda de conduta.
Deus falou através do profeta Ezequiel: “E farei conhecido o meu santo nome no meio do meu povo Israel, e nunca mais deixarei profanar o meu santo nome; e os gentios saberão que eu sou YHWH, o Santo em Israel”. Ezequiel 39:7
No livro de provérbios também está escrito: “Quem subiu ao céu e desceu? Quem encerrou os ventos nos seus punhos? Mas amarrou as águas no seu manto? Quem estabeleceu todas as extremidades da terra? Qual é o seu nome, e qual é o nome de seu filho? ” Provérbios 30:4 
Mas afinal qual é o nome de Deus?
Na bíblia o nome de Deus aparece 6823 vezes como יהוה o que transliterando seria YHWH em caracteres latinos pode assumir a forma JHWH que é chamado de Tetragrama. Contudo, nas traduções modernas para o português aparece como “SENHOR” ou “SENHOR Deus”. Isto acontece porque os judeus ao verem o nome de Deus tinham medo de pronuncia-lo em vão, então quando eles iam ler YHWH eles falavam no lugar “Adonai” que significa “senhor”.
Outro fato importante é que o hebraico original não possuía vogais ele possuía apenas as consoantes. Para um falante do hebraico bíblico era comum pronunciar as palavras através da pratica do dia a dia, mas o original bíblico não possuía vagais.
Os símbolos que hoje representam as vogais foram acrescentados aproximadamente no VI d.C. pelos massoretas. Estes sinais são pequenos símbolos acrescentados acima, abaixo ou até mesmo entre as consoantes.
Os símbolos massoréticos tiveram que ser acrescentados devido a um grande problema que surgiu com o tempo que foi a perda da pronuncia de muitas palavras. Esta perca de pronuncia começou quando os judeus foram levados para a babilônia e com isso tiveram que aprender outras línguas e aos poucos esqueceram a sua língua natal.
Mas de onde surgiu o nome Jeová?
Quando os massoretas foram colocar as vogais no tetragrama tiveram um grande problema, pois não conheciam mais a pronuncia do nome de Deus, então colocaram as vogais do nome “Adonai” para que quando alguém lesse o nome de Deus falassem Adonai. Mas quando vieram as primeiras tentativas de traduzir a bíblia alguns tradutores transliteraram o YHWH por YEHOWAH. Mas muitos gramáticos da língua hebraica consideram que esta transliteração é erro e apontam, seguindo antigas traduções grega, o nome YAHWEH como o sendo a verdadeira transliteração para o nome de Deus.
O nome Yahweh é a abreviatura da frase “Eu Sou o que Sou” dita por Deus na sarça ardente em Êxodo 3:13,14 e este nome significa “Eu Sou” ou “sempre serei”.
Mas apesar de que vários estudos apontam o nome de Deus como Yahweh muitos se apegam ao nome Jehowah, por não terem conhecimento sobre estes estudos ou simplesmente por tradição. Contudo, Deus tem sido invocado de várias formas na bíblia e não se importará se o chamarmos de Jeová, Yavé, ou Javé o importante é que creiamos nEle e Ele nos ouvirá quando o chamarmos.

Vejamos agora alguns nomes atribuídos a Deus:

ELOHIM: Deus (Gênesis 17:7; Jeremias 31:33) - a forma plural de Eloah, a qual acomoda a doutrina da Trindade. Da primeira frase da Bíblia, a natureza superlativa do poder de Deus é evidente quando Deus (Elohim) fala para que o mundo exista (Gênesis 1:1). 

EL SHADDAI: "Deus Todo-Poderoso", (Gênesis 49:24; Salmo 132:2,5) - fala do poder supremo de Deus sobre todos. 

ADONAI: "Senhor" (Gênesis 15:2; Juízes 6:15) - usado no lugar de YHWH, o qual os judeus achavam ser sagrado demais para ser pronunciado por homens pecadores. No Antigo Testamento, YHWH é mais utilizado em tratamentos de Deus com o Seu povo, enquanto que Adonai é mais utilizado quando Ele lida com os gentios. 

JEOVÁ-JIRÉ: "O Senhor proverá" (Gênesis 22:14) - o nome utilizado por Abraão quando Deus proveu o carneiro para ser sacrificado no lugar de Isaque. 

JEOVÁ-RAFA: "O Senhor que sara" (Êxodo 15:26) - "Eu sou o Senhor que te sara", tanto em corpo e alma. No corpo, através da preservação e da cura de doenças, e na alma, pelo perdão de iniquidades. 

JEOVÁ-NISSI: "O Senhor é minha bandeira" (Êxodo 17:15), onde por bandeira entende-se um lugar de reunião antes de uma batalha. Esse nome comemora a vitória sobre os amalequitas no deserto em Êxodo 17.

JEOVÁ-MAKADESH: "O Senhor que santifica, torna santo" (Levítico 20:8, Ezequiel 37:28) - Deus deixa claro que apenas Ele, e não a lei, pode purificar o Seu povo e fazê-los santos. 

JEOVÁ-SHALOM: "O Senhor nossa paz" (Juízes 6:24) - o nome dado por Gideão ao altar que ele construiu após o Anjo do Senhor ter-lhe assegurado de que não morreria como achava que morreria depois de vê-lO. 

JEOVÁ-ELOIM: "Senhor Deus" (Gênesis 2:4, Salmo 59:5) - uma combinação do singular nome YHWH e o nome genérico "Senhor", significando que Ele é o Senhor dos senhores. 

JEOVÁ-TSIDIKENU: "O Senhor nossa justiça" (Jeremias 33:16) - Tal como acontece com Jeová-Makadesh, só Deus proporciona a justiça para o homem, em última instância, na pessoa de Seu Filho, Jesus Cristo, o qual tornou-se pecado por nós "para que nele fôssemos feitos justiça de Deus" (2 Coríntios 5:21). 

JEOVÁ-ROHI: "O Senhor nosso Pastor" (Salmo 23:1) - Depois de Davi ponderar sobre seu relacionamento como um pastor de ovelhas, ele percebeu que era exatamente a mesma relação de Deus com ele, e assim declara: "Yahweh-Rohi é o meu Pastor. Nada me faltará" (Salmo 23:1). 

JEOVÁ-SHAMMAH: "O Senhor está ali" (Ezequiel 48:35) - o nome atribuído a Jerusalém e ao templo lá, indicando que o outrora partida glória do Senhor (Ezequiel 8-11) havia retornado (Ezequiel 44:1-4). 

JEOVÁ-SABAOTH: "O Senhor dos Exércitos" (Isaías 1:24, Salmos 46:7) - Exércitos significa "hordas", tanto dos anjos quanto dos homens. Ele é o Senhor dos exércitos dos céus e dos habitantes da terra, dos judeus e gentios, dos ricos e pobres, mestres e escravos. O nome expressa a majestade, poder e autoridade de Deus e mostra que Ele é capaz de realizar o que determina a fazer. 

EL ELIOM: "Altíssimo" (Deuteronômio 26:19) - derivado da raiz hebraica para "subir" ou "ascender", então a implicação refere-se a algo que é muito alto. El Elyon denota a exaltação e fala de um direito absoluto ao senhorio. 

EL ROI: "Deus que vê" (Gênesis 16:13) - o nome atribuído a Deus por Agar, sozinha e desesperada no deserto depois de ter sido expulsa por Sara (Gênesis 16:1-14). Quando Agar encontrou o Anjo do Senhor, ela percebeu que tinha visto o próprio Deus numa teofania. Ela também percebeu que El Roi a viu em sua angústia e testemunhou ser um Deus que vive e vê tudo. 

EL-OLAM: "Deus eterno" (Salmo 90:1-3) - A natureza de Deus não tem princípio, fim e nem quaisquer limitações de tempo. Deus contém dentro de Si mesmo a causa do próprio tempo. "De eternidade a eternidade, tu és Deus." 

EL-GIBOR: "Deus Poderoso" (Isaías 9:6) - o nome que descreve o Messias, Jesus Cristo, nesta porção profética de Isaías. Como um guerreiro forte e poderoso, o Messias, o Deus Forte, vai realizar a destruição dos inimigos de Deus e governar com cetro de ferro (Apocalipse 19:15). 

Referencias


http://prazerdapalavra.com.br/colunistas/luiz-sayao/3889-o-significado-dos-nomes-de-deus-luiz-sayao

domingo, 19 de julho de 2015

Podemos confiar na veracidade histórica de Ezequiel 29?

Introdução
Outro educado ateu com quem estou trocando ideias questionou a veracidade histórica da Bíblia, especialmente do capítulo 29 do livro de Ezequiel.
Ele alegou que os eventos históricos preditos pelo profeta não se cumpriram, entre eles: a invasão ao Egito liderada por Nabucodonosor e o restabelecimento do Egito ao final de 40 anos, período mencionado em Ezequiel 29:13.
Logo abaixo, lhe disponibilizo uma breve resposta que dei a ele, com o objetivo de lhe auxiliar na defesa da confiabilidade da Bíblia. Fiz pequenas adaptações e acrescentei duas citações de Ellen White, importantes para reflexão de todo ateu e dos estudantes sinceros das Escrituras.
Considerações sobre Ezequiel 29
1º: Reconhecemos que na Bíblia há certas dificuldades que só podem ser explicadas por um estudo mais detalhado, enquanto que outras serão resolvidas durante o progresso nos estudos na área da teologia, arqueologia e crítica textual.
Ellen White foi muito feliz ao comentar: “Ao mesmo tempo em que Deus deu prova ampla para a fé, nunca removeu toda desculpa para a descrença. Todos os que buscam ganchos em que pendurar suas dúvidas, encontrá-los-ão. E todos os que se recusam a aceitar a Palavra de Deus e lhe obedecer antes que toda objeção tenha sido removida, e não mais haja lugar para a dúvida, jamais virão à luz.”(Mente, Caráter e Personalidade, vol. 2, p. 672).
Ela continua, ao falar sobre a descrença humana:
“A desconfiança em Deus é produto natural do coração não renovado, que está em inimizade com Ele. A fé, porém, é inspirada pelo Espírito Santo, e unicamente florescerá à medida que for acalentada. Ninguém se pode tornar forte na fé sem esforço decidido. A incredulidade é fortalecida ao ser incentivada; e, se os homens, em vez de se ocuparem com as provas que Deus deu a fim de sustentar sua fé, se permitirem discutir e especular, verão que suas dúvidas se tornam constantemente mais acentuadas” (Ibidem)
2º: O evento de Ezequiel 29 é inquestionável para muitos estudiosos e não há erro histórico algum. De acordo com Norman Geilser (ex-ateu) e Thomas Howe:
“Um pequeno fragmento de uma crônica babilônica de cerca de 567 a.C. confirma tanto o registro de Josefo [historiador judeu que relata a invasão do Egito] como o relato bíblico referente à invasão do Egito por Nabucodonosor. Há ainda uma confirmação provinda da inscrição na estátua de Neshor, governador do Edito meridional sob Hofra. Nabucodonosor realmente invadiu e devastou o Egito […]” (Manual Popular de Dúvidas, Enigmas e “Contradições” da Bíblia. São Paulo: Mundo Cristão, 1999, p. 288).
3º: Realmente, não há nenhum registro fora da Bíblia de um exílio de 40 anos do povo egípcio (Ez 29:13). Porém, isso não é improvável. Há muitas coisas que a ciência não pôde explicar e comprovar e, nem por isso, diremos que os cientistas são “falsos” ou “imprecisos”.
Um erro muito comum entre os críticos da Bíblia é afirmar que o que não foi explicado, é inexplicável. O fato de alguma afirmação bíblica não poder ser explicada historicamente, não significa que um dia não o possa ser.
Um cientista tem na dificuldade umamotivação para continuar pesquisando e esse é o mesmo comportamento do teólogo e arqueólogo que procuram compreender as dificuldades bíblicas. O tempo tem mostrado que essa fé e perseverança têm sido recompensadas.
Por exemplo: os críticos acreditavam que a Bíblia estava errada em mencionar o povo heteu cerca de 20 vezes (ver, por exemplo, Gn 15:20; Ex 3:8), porém, com a descoberta, na Turquia, de uma biblioteca hitita, os descrentes tiveram que se calar novamente (Geisler e Howe, p. 18).
Segundo a Andrews Study Bible (Andrews University Press, 2010), p. 1079:
“O número 40 [mencionado em Ezequiel 29:13]é uma recordação da punição daquela geração do povo de Israel que morreu no deserto, por causa sua rebelião contra Deus. O Egito caiu diante dos babilônios em 568 a.C; Nabucodonosor atacou o palácio do faraó em Tafnes, queimou os templos dos deuses egípcios, e destruiu os obeliscos de Heliópolis (Jr. 43-44).”
4º: Em Ezequiel 29:1 a 32:32 há 7 oráculos (sentenças) contra o Egito e Faraó e apenas um não é datado (cap. 30:1 em diante). O primeiro, do verso 1, é datado de 7 de janeiro de 587 a.C, de modo que não há necessidade de duvidar do texto. Além disso, os estudiosos podem confirmar os nomes de lugares e cidades citados no capítulo, o que mostra mais uma vez a veracidade histórica da Bíblia.

Considerações finais
Apenas para o período de 40 anos de exílio não temos registro extra bíblico. Esse detalhe não deveria tirar nossa confiança na historicidade das Escrituras, que tem sido evidenciada (ou comprovada, como preferem alguns) cada vez mais pela arqueologia. Para que possa comprovar isso através de dados concretos, recomendo ao leitor o livroEscavando a Verdade, do arqueólogo Rodrigo P. Silva, publicado pela Casa Publicadora Brasileira (www.cpb.com.br).
Jesus Cristo, o personagem que dividiu a história, confiava na Bíblia (Lc 24:27, 44), inclusive em detalhes históricos (Mt 19:4-6; 24:38; Lc 10:12, etc). Sendo que é muito improvável uma pessoa com umainteligência emocional tão avançada (algo comprovado pelo cientista e psicanalista Augusto Cury, em sua série “Análise da Inteligência de Cristo”) errar tão abertamente, não vemos motivos para, com base (também) em nossa confiança em Jesus, rejeitar a historicidade da Palavra de Deus.

[www.leandroquadros.com.br]

http://novotempo.com/namiradaverdade/podemos-confiar-na-veracidade-historica-de-ezequiel-29/

sábado, 18 de julho de 2015

O “cair no espírito” do demônio

Introdução
A irmã batista Eliane Faria, telespectadora do programa “Na Mira da Verdade”, enviou-me um questionamento que creio ser a dúvida de muitos internautas. Ela pediu auxílio para compreender 1 Samuel 19:20-24, texto que apresenta Saul em transe profético e que supostamente apoia o “cair no Espírito” nos cultos públicos. Leiamos os versículos na Nova Versão Internacional:
“Então Saul enviou alguns homens para capturá-lo. Todavia, quando viram um grupo de profetas profetizando, dirigidos por Samuel, o Espírito de Deus apoderou-se dos mensageiros de Saul, e eles também entraram em transe. Contaram isso a Saul, e ele enviou mais mensageiros, e estes também entraram em transe. Depois mandou um terceiro grupo e eles também entraram em transe. Finalmente, ele mesmo foi para Ramá. Chegando à grande cisterna do lugar chamado Seco, perguntou onde estavam Samuel e Davi. E lhe responderam: “Em Naiote de Ramá” Então Saul foi para lá. Entretanto, o Espírito de Deus apoderou-se dele, e ele foi andando pelo caminho em transe, até chegar a Naiote. Despindo-se de suas roupas, também profetizou na presença de Samuel, e, despido, ficou deitado todo aquele dia e toda aquela noite. Por isso, o povo diz: “Está Saul também entre os profetas?” (1Sm 19:20-24)
Alguns irmãos tentam justificar o “cair no Espírito” com essa experiência de Saul. Todavia, o contexto do evento e outros textos bíblicos paralelos nos provam que o “cair no Espírito” não é um fenômeno de origem divina e, portanto, deve ser abandonado, antes que a vida espiritual do cristão seja ainda mais comprometida.
A seguir, veja algumas das razões para duvidarmos que 1 Samuel 19:20-24 esteja dando apoio ao “cair” sobre a influência do Espírito Santo.

Provas de que o Espírito Santo não joga as pessoas no chão
1º: O contexto nos mostra que Saul não estava participando de nenhum culto de adoração, mas, sendo impressionado por Deus para mudar de vida.
Saul queria matar Davi por causa da inveja e por receio de perder o seu “cargo” de rei (1Sm 19:1-17). O então rei de Israel estava indo longe demais e, através da capacidade de profetizar (dada também aos mensageiros que ele enviou – 1Sm 19:20, 21), “recebeu uma evidência clara de que Deus estava protegendo Davi”. É bem provável que “[…] ali o Espírito Santo tenha insistido com Saul pessoalmente pela última vez” (Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, vol. 2. Tatuí, São Paulo: Casa Publicadora Brasileira, 2012, p. 589. Ver 1Sm 19:24).
O referido comentário também explica que “é possível que tenha saído de seus lábios [de Saul, enquanto profetizava sob a influência do Espírito] não só uma confissão da justiça da causa de Davi, mas também a condenação de seus atos […]”.
2º: Ao Espírito Santo apoderar-se de Saul, ele prosseguiu caminhando até chegar a Ramá (cidade localizada na região montanhosa de Efraim, a cerca de 8km de Jerusalém), onde estavam os demais mensageiros que também profetizavam (1Sm 19:23). Essa capacidade de caminhar e chegar a um local específico nos mostra que, apesar de Saul estar em “transe”, detinha capacidade autônoma, de modo que a presença do Espírito não tirou a individualidade do rei.
3º: O verso 24 do capítulo 19 diz apenas que ele “ficou deitado todo aquele dia e toda aquela noite” e não dá a entender que, para isso, ele tenha “sido jogado no chão” ou tido atitudes excêntricas, do mesmo modo que vários irmãos que alegam estar sobre a influência do Espírito sobre tais circunstâncias.
4º: O Novo Testamento, que mostra a atuação do Espírito de maneira ainda mais clara, nos ensina que a Terceira Pessoa da Trindade não gosta das manifestações pentecostais pós-modernas que envolvem (muitas delas) gritos, barulho, desordem e ações excêntricas. Veja:
a) Efésios 4:30, 31 afirma que o Espírito é entristecido com a gritaria;
b) 1 Coríntios 14:33 ensina que “Deus não é Deus de desordem, mas de paz. Como em todas as congregações dos santos”, ou seja: até mesmo nas igrejas pentecostais Ele quer ser um Deus de ordem e de paz.
c) 1 Coríntios 14:40 mostra que o culto que agrada ao Senhor “deve ser feito com decência e ordem”.
d) Gálatas 5:22, 23 deixa claro que, no momento em que uma pessoa é tomada pelo Espírito, ela revela em sua vida nove qualidades de caráter, entre elas: paz (v. 22), mansidão e domínio próprio (v. 23).
Essas características do caráter do Espírito Santo nos impedem de aceitar que as manifestações em muitos (não todos!) meios pentecostais sejam realmente de origem divina. Se em um culto, mesmo que o nome de Deus seja pronunciado (Conferir Mateus 7:21-23), as pessoas manifestam atitudes e comportamentos diferentes daqueles que o Espírito divino possui, conforme vimos nos textos acima, isso é suficiente para provar-nos que “outro espírito” é quem está por trás de tais fenômenos.
5º: Marcos 9:17 e 18 diz que o espírito que faz as pessoas caírem é o espírito do demônio. Veja que texto forte e, ao mesmo tempo, esclarecedor:
“Um homem, no meio da multidão, respondeu: ‘Mestre, eu te trouxe o meu filho, que está com um espírito que o impede de falar. Onde quer que o apanhe, joga-o no chão. Ele espuma pela boca, range os dentes e fica rígido. Pedi aos teus discípulos que expulsassem o espírito, mas eles não conseguiram’’

"Mas o fruto do Espírito é... mansidão e domínio próprio" (Gl 5:22, 23)
O Espírito Santo sempre quer erguer o crente e nunca jogá-lo no chão. Veja que, ao Cristo expulsar o demônio do menino (leia Marcos 9:14-29), o Salvador “tomou-o pela mão e o levantou, e ele ficou em pé”(v. 27).
Portanto, não há dúvidas: o “cair no Espírito”, mesmo fazendo parte da vida de muitos cristãos sinceros e verdadeiros filhos de Deus, é uma manifestação demoníaca, com o objetivo de confundir as pessoas e apresentá-las uma imagem distorcida do divino e manso Espírito Santo.

O inimigo conhece o grande potencial dos irmãos pentecostais
O inimigo de Deus sabe que muitos amigos pentecostais são candidatos à vida eterna e salvos em Cristo. Tem ciência do quanto o Espírito Santo os usa para relembrar aos demais cristãos sobre a importância dos dons espirituais para a edificação da igreja e conclusão da obra de evangelização mundial.
Por isso, através de manifestações sobrenaturais que dão uma sensação aparentemente agradável aos que são possuídos por tal espírito, o Diabo quer impedi-los de terem uma experiência verdadeira com o Espírito. O inimigo, através de tal contrafação do Espírito, quer impedir que os irmãos aprendam a apreciar um culto tranquilo, racional (Rm 12:1, 2) e que tenha a emoção na medida certa (Fp 4:4), do jeito certo (1Co 14:33, 40).
Muito cuidado, irmãos. Uma das principais obras satânicas nesses últimos dias é contrafazer a obra do Espírito Santo. Ele sabe que o Espírito é o “outro consolador” divino (Jo 14:16), que glorifica a Jesus Cristo e o plano de salvação (Jo 16:14), nos convence “do pecado, da justiça e do juízo” (Jo 16:8), guia-nos a “toda a verdade” (Jo 16:13) e santifica a nossa vida (Rm 6:23). O Diabo sabe que nesse processo de santificação o Espírito nos torna parecidos com Jesus através do novo nascimento (Jo 3:1-8) e “escreve” os princípios morais da Lei de Deus em nosso coração (Hb 8:10).
Por isso, não é do interesse do demônio que as pessoas tenham um conhecimento pleno (e correto) da Pessoa e da Obra do Espírito Santo. Afinal, através de um falso espírito santo, ele pode desencaminhar muitos e levá-los a seguir pelo caminho largo, que leva à perdição (Mt 7:13, 14).
O inimigo não vai atrás de quem já é dele. Por isso, meu irmão pentecostal, se você “cai no espírito”, peça a Deus discernimento e coloque a Revelação bíblica acima dos seus sentimentos. Leia esse artigo com oração e mente disposta (Jr 15:16) a conhecer cada vez mais esse Deus que tanto lhe ama (Jr 31:3). Submeta-se a Ele (Tg 4:7) e preste-Lhe um culto alegre (Fp 4:4) e racional ao mesmo tempo (Rm 12:1, 2), para que sua mente receba todas as verdades que o Espírito Santo quer lhe comunicar para sua felicidade presente e eterna:
“Quer você se volte para a direita quer para a esquerda, uma voz atrás de você lhe dirá: ‘Este é o caminho; siga-o’” (Is 30:21).
Um abraço do amigo e irmão em Cristo,

Leandro Quadros
[www.leandroquadros.com.br]

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Como harmonizar 2 Reis 8:26 com 2 Crônicas 22:2?

[www.leandroquadros.com.br]

Realmente há diferentes informações em 2 Reis 8:26 e 2 Crônicas 22:2 na versão Almeida Revista e Corrigida. O primeiro texto afirma ter Acazias a idade de 22 anos quando começou a reinar em Judá. Porém, o texto de Crônicas diz que ele tinha 42 anos. Qual das duas passagens está correta?
O ponto de partida para encontrarmos essa resposta está em 2 Reis 8:17. O texto nos informa que Jeorão, pai de Acazias, tinha 32 anos de idade quando se tornou rei, e que ele morreu com 40 anos. Desse modo, Acazias não poderia ter 42 anos e ser mais velho que o próprio pai dele.
Não fica difícil concluirmos que a informação do texto de 2 Crônicas 22:2, que afirma ter Acazias a idade de 42 anos no começo do seu reinado, foi um lapso de memória do autor do livro, ou um erro do copista enquanto copiava o texto original .
Entretanto, há outra possível explicação para essa aparente dificuldade bíblica. O Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, por exemplo, sugere que a frase hebreia “quarente e dois anos” em 2 Crônicas 22:2 não se refere, no original, à idade de Acazias quando subiu ao trono e sim ao número de anos da fundação da dinastia de Onri, sendo que Acazias era um “filho” no sentido de ser descendente daquela nobre dinastia. A importância do reinado e liderança de Onri se percebe em 2 Reis 8:26, 27, de modo que ele era o início daquela dinastia real.
Portanto, de acordo com o Comentário Bíblico Adventista, 2 Reis 8:26 estaria se referindo à idade de Acazias (22 anos) quando subiu ao trono e, 2 Crônicas 22:2, ao número de anos da dinastia de Onri até Acazias, que envolveu um período de 42 anos.
Vale ressaltar que algumas traduções já não apresentam essa “contradição”. Isso mostra que os tradutores, ao analisarem o original e considerarem certos dados históricos, bem como diferentes possibilidades, apresentaram o texto em seu significado real. Um exemplo é a versão Almeida, Revista e Atualizada (ARA). Veja a seguir o contraste entre essa tradução e a Almeida Revista e Corrigida (ARC):
2 Crônicas 22:2 na ARC: “Era da idade de quarenta e dois anos quando começou a reinar e reinou um ano em Jerusalém. E era o nome de sua mãe Atalia, filha de Onri.”
2 Crônicas 22:2 na ARA: Era Acazias de vinte e dois anos de idade quando começou a reinar e reinou um ano em Jerusalém.
As diferenças que os autores bíblicos apresentam quanto aos detalhes desacreditam a Bíblia?
Esse fato em nada diminui o valor da Palavra de Deus que, segundo Jesus, “não pode falhar” (Jo 10:35). Apenas revela que o Espírito Santo, ao inspirar um profeta ou auxiliar um copista, não tira a humanidade do indivíduo e permite que o mesmo expresse as perfeitas ideias divinas em uma imperfeita linguagem humana.
De acordo com 2 Pedro 1:20, 21, a Bíblia tem dupla autoria: divina e humana. Por isso, é mais que natural existir nas Escrituras erros ortográficos, divergências numéricas, entre outras coisas, que em nada afetam a mensagem, e muito menos diminuem o poder transformador das Escrituras. Poder esse experimentado por bilhões de pessoas, em todas as épocas da história humana.
Desse modo, a Bíblia é a perfeita Palavra de Deus no imperfeito sotaque humano. Ela não contém erros divinos (porque Deus não erra), mas, contém falhas humanas pelo fato de seres humanos falhos terem-na escrito com sua própria linguagem limitada para descrever as coisas divinas.
Nossa certeza de vitória espiritual está em darmos atenção à mensagem dos profetas, porta-vozes de Deus com uma mensagem de Salvação importantíssima para nosso bem-estar presente e felicidade eterna. Por isso, reflitamos com carinho em 2 Crônicas 36 e aprendamos com os erros do povo de Israel, ao invés de errarmos como eles erraram:
“O SENHOR, o Deus dos seus antepassados, continuou a avisá-los por meio dos seus profetas porque tinha pena do seu povo e do Templo, a sua casa. Mas eles riram desses mensageiros de Deus, rejeitaram as suas mensagens e zombaram deles. Finalmente, Deus ficou tão irado com o seu povo, que não houve mais remédio.”(2 Crônicas 36:15-16 – Nova Tradução Na Linguagem de Hoje)
Um grande abraço.
http://novotempo.com/namiradaverdade/como-harmonizar-2-reis-826-com-2-cronicas-222/

quarta-feira, 8 de julho de 2015

“Teoria do sexto rei contra-ataca”

18/03/2013
Em 12 de fevereiro (2013), postei no blog o terceiro post sobre os “sete reis” de Apocalipse 17, para auxiliar o leitor a se familiarizar um pouquinho com a interpretação historicista seguida pelos adventistas do sétimo dia no estudo do Apocalipse.

Papa_Francisco_con_periodistas_2013-03-16-2
No post recomendei a leitura da resposta de José Carlos Ramos sobre esse tema, disponibilizada na Revista Adventista de junho de 2005, página 10, na seção intitulada “Consultoria Doutrinária”.
Todavia, sendo que com o anúncio do novo papa – o cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio (Papa Francisco) – as especulações alarmistas e sem fundamentação bíblica (ou histórica) se acentuam nas “mentes irrequietas”, decidi disponibilizar, na íntegra, a resposta do então diretor de pós-graduação do curso de teologia no Centro Universitário Adventista (Unasp) em Engenheiro Coelho, SP.
Vale à pena conferir essa breve resposta, para que não se deixe levar por especulações que em nada contribuirão para o crescimento espiritual, e muito menos para o avanço da obra de Deus.
Antes, relembro que há uma terceira interpretação no meio adventista, que não rejeita o método historicista. Essa metodologia de interpretação (historicismo) é caracterizada por compreender as profecias bíblicas de uma perspectiva histórica, considerando o passado, presente e futuro. Tal sugestão interpretativa foi apresentada por Ekkehardt Mueller, diretor associado do Biblical Research Institute da Associação Geral da IASD em Silver Spring, Maryland, EUA.
Seu estudo exegético de Apocalipse 17 foi publicado em língua portuguesa na revista teológica “Parousia”, e pode ser lido clicando aqui.
As duas interpretações destacadas por José Carlos Ramos, e a sugestão interpretativa de Ekkehardt Mueller são embasadas e livres de qualquer interpretação fantasiosa que aparece em artigos e em livros de “profetas de plantão”. Há um desses “profetas” por aí dizendo que o Papa Francisco é o “último papa” a assumir o trono do Vaticano antes de Jesus voltar. Infelizmente, ele também irá se decepcionar com o passar do tempo, do mesmo modo que muitos outros. Desejo sinceramente que Deus conforte tais irmãos em tal momento de angústia.
Todavia, reconheço que Jesus pode voltar a qualquer instante (Mt 24:42, 44), porém, especular sobre Sua volta tendo como “base” a ascensão de um “papa”, a meu ver, é muito perigoso, além defictícia. Essa teoria contradiz de maneira “mascarada” o texto de Mateus 24:36, que afirma não ser possível saber o dia e a hora da volta do Salvador (leia também Atos 1:7).
A teoria de que Francisco é o “último papa antes de Cristo voltar” leva a uma agitação prejudicial e que desvia a atenção do verdadeiro centro das profecias apocalípticas, Jesus Cristo, e da nossa real missão: pregar o “evangelho eterno” (Ap 14:6), contextualizado nas Três Mensagens de Apocalipse 14:6-12.
Por isso, sugiro que leia com atenção o artigo a seguir, da autoria de José Carlos Ramos, e que atente para seu conselho final nos últimos dois parágrafos. Além disso, recomendo que assista a palestra de Alberto Timm, intitulada “Papado: Declínio ou Ascenção?”, ministrada no programa “Conection”, na Washington Brazilian SDA Church em 9 de março de 2013.
Ela pode ser assistida ao clicar aqui. Nessa palestra, você verá (entre outras coisas) que a profecia enfatiza o papado como um todo – ao invés de “papas isolados” – como o poder mencionado tanto em Daniel 7:25, 8:9-12 e Apocalipse 13.
Em breve postarei uma resposta a algumas alegações de um sensacionalista. Em uma delas ele afirmou que minha explicação sobre Apocalipse 17, dada no programa “Na Mira da Verdade”, não possui embasamento histórico. Porém, ao analisar os pressupostos dele, poderemos desmentir vários sensacionalistas de uma só vez – o que será bastante útil para os sinceros estudantes das profecias.
A seguir, a resposta de José Carlos Ramos. Ótima leitura!
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“Teoria do sexto rei contra-ataca”
Com a morte do papa, reascendeu aqui em nossa congregação a teoria dos sete reis. Poderia comentar alguma coisa sobre essa teoria? Qual, por exemplo, seria sua principal fragilidade? E. K.
A posição da IASD com respeito a Apocalipse 17:9 e 10 continua sendo a mesma de antes da morte de João Paulo II. Respeitando o sistema de interpretação profética que ela assume, o historicismo, interpretamos de duas maneiras os “sete reis” relacionados nesse texto:
Primeira: Eles representam sete formas de governo romano desde a fundação de Roma, as quais são: realeza, consulado, decenvirato, ditadura, triunvirato, império e papado.
Quando o Apocalipse foi escrito – as cinco primeiras formas haviam passado – a História registrava o domínio da sexta, e o domínio da sétima (o papado) ainda viria; ou
Segunda: Os “sete reis” representam sete reinos ou impérios que perseguiram e maltrataram o povo de Deus no transcurso da História, começando com o Egito, e prosseguindo com a Assíria, Babilônia, Medo-Pérsia, Grécia, Roma Imperial e Roma Papal. Da mesma forma, no tempo do apóstolo João, os cinco primeiros desses reinos, ou poderes, haviam passado, o sexto dominava e o sétimo ainda viria. O verso 11 também fala do “oitavo rei”, que “procede dos sete”. O único dos sete, que de fato retornará, é o papado, que, quando plenamente curado de sua ferida mortal, exercerá a supremacia em todo o mundo (Apoc. 13:3).
Contrariando a posição historicista da Igreja, ultimamente tem sido ventilada uma forma de interpretação distinta, conhecida como teoria do sexto rei, e que lamentavelmente tem sido apresentada como verdade em alguns círculos adventistas: “Os sete reis de Apocalipse 17:9 e 10 são os sete papas que assumem a direção do Romanismo desde 1929.”
Por que desde 1929? Porque nesse ano o Cardeal Gasparri e Benito Mussolini, premier italiano entre 1922 e 1943, assinaram o Tratado de Latrão estabelecendo o Estado do Vaticano e assegurando à Santa Sé independência absoluta e soberania de caráter civil e político. Supõe-se que aí tenha ocorrido a cura da ferida mortal infligida à besta (Apoc.13:3, primeira parte). Mas, se realmente a cura ocorreu em 1929, porque o papado até hoje não logrou um domínio mundial?
Pois a profecia afirma que, uma vez efetivada a cura, “toda a terra se maravilhou, seguindo a besta” (v. 3, u.p.). Segundo a teoria, o sexto rei é João Paulo II, e seu sucessor, Joseph Ratzinger, o sétimo. O “oitavo” virá em seguida, como o último a exercer o primado; isto é, ele avançará até a volta de Jesus. Mas, segundo a profecia, o oitavo e último será um dos sete anteriores. Pergunto: Se os seis primeiros papas já morreram (e, segundo a própria teoria, não será o “sétimo” que retornará), como então um deles será o “oitavo”? Como se cumprirá a profecia que afirma que o “oitavo procede dos sete”?
A “fragilidade principal” dessa teoria é precisamente seu erro fundamental: o ter ela se desviado do pensamento profético interpretativo da Igreja, o historicismo, e descambado para um dispensacionalismo, ou futurismo disfarçado (o dispensacionalismo interpreta as profecias jogando a maior parte de seu cumprimento para o futuro). Toda vez que isso ocorrer, estaremos subestimando a luz que Deus, desde o princípio, fez incidir sobre nós, e o resultado não será bom. Jamais deveríamos esquecer que o historicismo transparece na forma como nosso Salvador tratou as profecias de Daniel (ver o discurso escatológico registrado em Mateus 24, Marcos 13 e Lucas 21), e na forma com que o apóstolo Paulo se referiu à vinda do anticristo em II Tessalonicenses 2. E, claro, Ellen G. White, como mensageira do Senhor, não poderia adotar outro sistema. É suficiente uma olhadela no livro O Grande Conflito para se constatar que ela, de fato, foi historicista em sua abordagem profética.
Faz algum tempo, estive em Curitiba dialogando com um dos defensores da teoria; alguém que, anos antes, havia lançado um livro a respeito desse assunto. Nessa obra, ele afirmara que João Paulo II iria renunciar e seria sucedido por um papa que governaria por pouco tempo (pois seria um desastre para a Igreja) e, então, o mesmo João Paulo II retornaria ao poder como o “oitavo”, cumprindo assim o detalhe profético da procedência dentre os sete.
Na oportunidade, afirmou-me o autor estar consciente de que, se o papa viesse a morrer, sua teoria se mostraria um equívoco. E não deu outra coisa. Agora existem aqueles que, não reconhecendo o fracasso da teoria, querem coser um tampão na “brecha”, tentando, face ao falecimento do papa, adaptá-la ao novo contexto; andam afirmando que o recém-falecido papa será clonado, ou que o diabo irá contrafazer uma ressurreição dele, ou, ainda, que esse papa, uma vez canonizado, “aparecerá” (naturalmente por imitação maligna) para, novamente, assumir o trono do Vaticano! É assim que “um abismo chama outro abismo” (Sal.42:7). Mas, como geralmente acontece em artimanhas do tipo, é muito provável que o remendo aqui, como diz o ditado, venha a ser “pior que o soneto”. Essas e outras fantasias afins são ótimas para Hollywood (e seus filmes de ficção), mas não para o povo de Deus.
Por que esses “adventistas”, amantes do ineditismo e do sensacionalismo, não vão pregar aos perdidos que anseiam pelo Evangelho puro, límpido, fundamentado num insofismável “assim diz o Senhor”, e não rompem, de vez, com ideias especulativas que só geram confusão? Quando vão acordar para o fato de que devem construir e não demolir?
Comissionado pelo grande Mestre, o povo de Deus tem uma missão a cumprir em todo o mundo. Não trabalhamos com meras conjecturas. Há uma verdade clara e objetiva para ser proclamada ao mundo, uma verdade incorporada na tríplice mensagem angélica de Apocalipse 14.
Não é hora de nos aventurarmos com fantasias inconsequentes, de gastarmos o precioso tempo que nos resta com produtos secundários, oriundos de mentes irrequietas.
José Carlos Ramos, diretor de pós-graduação do Salt, campus Engenheiro Coelho, SP.