segunda-feira, 29 de junho de 2015

O código da profecia

Postado por: Da redação 26 de junho de 2015 em Capa, Sinais Nenhum comentário

Entender os períodos de tempo mencionados no livro de Daniel ajuda a ver a mão de Deus na história
o-codigo-da-profecia-Sinais-RA-junho-2015-creditos-fotolia
Em anos recentes, alguns teólogos adventistas começaram a aplicar ao futuro os períodos de tempo em Daniel 12. Rejeitando a interpretação adventista tradicional que considera os três tempos e metade de um tempo (v. 7), os 1290 dias (v. 11) e os 1335 dias (v. 12) períodos proféticos já cumpridos, eles alegam que esses períodos devem ser entendidos como dias literais ainda no futuro. Para outros estudiosos, esses períodos de tempo seriam um mero recurso literário para indicar uma aparente “demora” do tempo do fim. Outros ainda acham que essas profecias podem ser interpretadas a partir de uma abordagem múltipla. Quem tem razão?

Ao longo da história, os adventistas fizeram diferentes tentativas de explicar o significado dos 1290 e dos 1335 dias de Daniel 12. De acordo com Gerhard Pfandl, que atuou durante vários anos no Instituto de Pesquisa Bíblica, a interpretação desses versos constitui um dos dez maiores desafios proféticos que os teólogos adventistas enfrentam hoje. O consenso geral que há em relação aos 1260 dias e às 2300 tardes e manhãs não existe no caso dos 1290 e dos 1335 dias.
As interpretações adventistas de Daniel 12:11 e 12 podem ser agrupadas em três categorias: (1) abordagem simbólica e historicista, que é a mais aceita pelos teólogos adventistas; (2) interpretação literal, que coloca os eventos totalmente no passado ou no futuro; e (3) visão idealista, a qual propõe que esses períodos possam ser ligados a vários eventos.
INTERPRETAÇÃO HISTORICISTA
A interpretação historicista tradicional vem de longe. Desde o tempo da Reforma, um grupo significativo de intérpretes tem estudado os períodos proféticos de Daniel a partir dessa metodologia. No fim do século 18, Thomas Newton (em seu livro Dissertations on the Prophecies) e John Bacon (em Conjectures in Prophecies) dedicaram bastante espaço à análise exegética das profecias de Daniel 12.
Um novo interesse pelas profecias de Daniel atingiu seu clímax na primeira metade do século 19 com o movimento milerita. William Miller (mais conhecido no Brasil como Guilherme Miller) e um grupo de pregadores itinerantes apresentaram a abordagem pré-milenialista mais convincente das profecias de tempo de Daniel. Para eles, Jesus voltaria antes do milênio, e não depois dele. Miller desenvolveu uma série de princípios para interpretar a Bíblia e suas profecias. A 12ª regra dele dizia que o intérprete de Daniel e do Apocalipse deve descobrir “o verdadeiro evento histórico para o cumprimento de uma profecia”. O intérprete precisa comparar os detalhes proféticos com os registros históricos para determinar o evento que cumpre de maneira literal cada palavra da profecia.
Seguindo seu método, Miller conectou o início dos 1290 e dos 1335 anos com a remoção da “abominação desoladora”, a qual ele identificou com Roma pagã. O pregador acreditava que o poder civil de Roma desfrutaria um total de 666 anos de supremacia (de 158 a.C. a 508 d.C.). A partir desse tempo (508 d.C.), os 1290 e os 1335 anos terminariam, respectivamente, em 1798 e 1843. Ele calculou o ponto inicial desses períodos conectando Apocalipse 13:18 com Daniel 11:31. O poder do papado, substituindo o poder da Roma pagã, duraria 1290 anos (de 508 a 1798). Em 1798, o poder do papado seria tirado, deixando 45 anos para o anúncio do evangelho e o preparo para a segunda vinda de Jesus. Miller assumiu que o número da besta se refere aos anos em que o quarto reino teria domínio sobre os judeus e os cristãos.
O diagrama profético desenvolvido por Charles Fitch e Apollos Hale sintetizou, unificou e melhorou as posições mileritas sobre os tempos proféticos. Segundo o historiador Edwin LeRoy Froom, esse diagrama representou um “claro avanço” sobre os diagramas anteriores. Talvez sua omissão mais significativa tenha sido a conexão feita por Miller entre Apocalipse 13 e Daniel 11, identificando o “diário” com o paganismo. Contudo, esse diagrama manteve dois pontos essenciais: (1) o ano 508 como ponto de partida dos 1290 e dos 1335 anos; e (2) a harmonia desses períodos com os outros períodos proféticos do livro de Daniel.
A interpretação de Miller teve grande impacto no pensamento dos pioneiros adventistas, que mantiveram as mesmas datas para o início e o fim dos 1290 e dos 1335 anos. James (ou Tiago) White, Ellen White, Joseph Bates, Hiram Edson e outros continuaram defendendo a precisão do diagrama profético de 1843. Em novembro de 1850, Ellen White escreveu na revista Present Truth: “Vi que o diagrama de 1843 foi dirigido pela mão do Senhor e que não deve ser alterado.”
Um artigo publicado por Hiram Edson na Review and Herald em 1856 mostra que os adventistas ainda adotavam os cálculos de Miller para os 1290 e os 1335 anos e continuavam a ligar os tempos proféticos de Daniel 12 com as demais profecias de tempo do livro de Daniel. Por exemplo, Uriah Smith afirmou na Review and Herald em 1867 que “a primeira visão, com seu longo período de 2300 anos, estaria continuamente na mente de Daniel, e os outros períodos mencionados (1260, 1290 e 1335 dias) seriam apenas subdivisões do primeiro”.

A maioria dos modernos intérpretes adventistas, com base na abordagem exegética, continua apoiando a posição tradicional dos pioneiros. William Shea, um grande estudioso das profecias, abraça todas as pressuposições do historicismo adventista. No livro Daniel: A Reader’s Guide, ele enfatizou que as profecias de Daniel “começam no tempo histórico do próprio profeta e se estendem ao futuro, após os dias do profeta”.
Shea fez uma cuidadosa análise dos 1290 e dos 1335 dias e concluiu que essa parte é “um epílogo ou apêndice para as profecias de 11:2–12:4”. Segundo ele, a estrutura de Daniel indica que os períodos sempre seguem o relato da visão. Portanto, os componentes de tempo nunca são parte das visões, mas das explicações. Além disso, os tempos proféticos “estão ligados pelos eventos que eles descrevem” e “nunca datam novos eventos”.
Em seu livro Daniel: The Seer of Babylon, Gerhard Pfandl igualmente usou argumentos exegéticos para explicar os 1290 e os 1335 dias a partir de bases históricas. Ele apoiou sua análise por meio de três pontos. Primeiro, há um notável paralelismo entre Daniel 12:11 e 11:31, indicando que ambos os textos representam os mesmos eventos históricos. Em segundo lugar, o conceito de “diário” (tamid) liga intimamente as passagens proféticas de Daniel 8:11, 11:31 e 12:11. Portanto, o significado da passagem prévia ajuda a esclarecer o significado das outras. Por fim, embora o anjo não tenha especificado para Daniel o ponto inicial dos 1335 dias, o contexto sugere que ele seja o mesmo dos 1290 dias.
Um ano depois da publicação de seu livro, Pfandl ampliou e enriqueceu seus argumentos num panfleto intitulado Time Prophecies in Daniel 11, dizendo que as profecias de Daniel são apresentadas “de acordo com o princípio da repetição e ampliação”, em que cada visão “é sempre seguida por explicações”. Assim, Daniel 12:5-13 seria um “epílogo” ou ampliação da visão precedente de Daniel 11, e não “uma nova visão com um novo tópico”. Além disso, ele defendeu que as palavras hebraicas pala (“coisas incríveis”, “maravilhas”) e tamid (“diário”, “contínuo”) também ligam essas seções finais com os eventos de Daniel 11 como referência às horríveis blasfêmias pronunciadas pelo rei do norte. Pfandl concluiu que os 1290 e os 1335 dias começam com a conversão de Clóvis em 508 e terminam, pela ordem, em 1798 e 1843/1844.
INTERPRETAÇÃO LITERAL
A interpretação tradicional adventista, que defende que as profecias de Daniel 12 devem ser interpretadas usando- se o princípio de um dia por um ano (conforme Lv 25:8; Nm 14:34; Ez 4:6, 7) e o método historicista, permaneceu por décadas sem ser desafiada. Contudo, uma série de estudos recentes feitos por teólogos e leigos mudou o panorama. Por um lado, alguns sugerem que esses períodos proféticos cubram um período literal no passado, apenas alguns anos após a morte de Daniel. Essa escola, que teve pouco impacto no pensamento adventista, é conhecida como preterista. Por outro lado, há um grupo mais recente que começou a enfatizar uma nova abordagem futurista para os 1290 e os 1335 dias. Mas essa metodologia não deve ser confundida com a escola futurista protestante.

Todo Adventista deveria estudar o livro de Daniel para entender a história pela perspectiva de Deus, mas é preciso saber interpretar os códigos utilizados pelo profeta

Alberto Timm e Gerhard Pfandl consideram a interpretação futurista a mais desafiadora para a escatologia adventista. Ao que parece, Robert Hauser foi um dos primeiros a apresentar a ideia de um cumprimento futuro dessas profecias. Seu pensamento encontrou eco em alguns membros e até pastores e teólogos. Por exemplo, o Dr. Siegfried Schwantes, teólogo brasileiro, e Kenneth Cox, conhecido evangelista, defenderam um cumprimento literal desses “dias” de Daniel antes da segunda vinda de Jesus. Samuel Nuñez, um erudito na área do Antigo Testamento, também advoga essa interpretação.
Para Nuñez, os 1260, 1290 e 1335 dias são literais e se cumprirão no futuro, tendo início com uma lei dominical nacional ou universal. Segundo ele, há várias razões para se pensar assim. Uma delas seria a estrutura quiástica de Daniel 12, a qual indica que os versos 1 a 6 e 8 a 13 têm que ver com os eventos do tempo do fim. Além disso, diz Nuñez, sempre que o Antigo Testamento usa as palavras yom ou yamim(“dia”, “dias”) com um número ordinal ou cardinal, a medida descrita é literal. Isso seria evidente pelo fato de que, ao apresentar os períodos simbólicos de Daniel 7 (iddan), Daniel 8 (ereb boqer), Daniel 9 (sabuim) e Daniel 12:7 (mo’ed [“tempo”]), o profeta nunca usou o termo yom (“dia”).
Para Nuñez, Daniel empregou a mesma estratégia literária em todas as visões: descreve a visão e então menciona o período profético (7:2-14, 25; 8:3-12, 14, 26; 11:2–12:4, 7, 11, 12). Os únicos períodos que devem ser entendidos literalmente seriam os apresentados em Daniel 12:11 e 12. Porém, enquanto nas três primeiras visões do livro (capítulos 2, 7, 8) a estrutura literária tende a ser simbólica, nos últimos capítulos (11, 12) ela tende a ser literal. A expressão “homem vestido de linho” (11:6) indicaria que a visão de Daniel 12 deve ser entendida como apontando para o tempo do fim.
Essa abordagem ganhou certo apoio no meio adventista, mas foi pequeno em comparação com a visão historicista tradicional.
INTERPRETAÇÃO IDEALISTA
A interpretação idealista, com sua perspectiva multifocal, também representa o pensamento da minoria. Não tiveram muita aceitação os cumprimentos múltiplos defendidos por Desmond Ford (o chamado “princípio apotelesmático”) e a abordagem literária de Zdravko Stefanovic. Ford propôs uma interpretação para tentar harmonizar todos os principais sistemas de estudos proféticos (historicista, preterista e futurista). Por sua vez, Zdravko defendeu uma abordagem idealista ou espiritual que minimiza a aplicação histórica das profecias apocalípticas.
Desmond Ford analisou Daniel 12 a partir de um método histórico-crítico-gramatical-contextual. No prefácio do Commentary of Daniel escrito por Ford, o erudito F. F. Bruce observou que o teólogo adventista redigiu sua dissertação de doutorado “com base na exegese primária do texto bíblico”, enquanto no comentário ele explorou o “senso plenário” das visões de Daniel. Ford esboçou brevemente sua posição a respeito dos 1290 e dos 1335 dias, dizendo que essas datas poderiam ser entendidas pelo princípio do dia-ano ou dia-dia. Assim, esses períodos teriam dois cumprimentos completos. Para ele, a profecia se cumpriu com Antíoco Epifânio e suas ações repulsivas no templo de Jerusalém. Um cumprimento secundário teria ocorrido ao longo da história da igreja medieval, com “a supremacia do anticristo entre 538 e 1798”. Mas Ford não limitou os possíveis cumprimentos dessas profecias a esses dois eventos, pois haveria outro provável cumprimento nos últimos dias.
Há poucos anos, Zdravko Stefanovic, professor de estudos em Antigo Testamento, escreveu um comentário sobre Daniel intitulado Daniel: Wisdom to the Wise, que recebeu elogios por apresentar novas perspectivas e, ao mesmo tempo, preservar a compreensão histórica adventista.
O autor dividiu seu comentário em três partes principais. Primeiro, ele explorou os aspectos linguísticos, literários e históricos do texto original. Na segunda seção, ele fez uma exposição, apresentando o que o autor quis dizer. A última parte é um sumário do ensino do livro, explicando o significado do texto para hoje. Stefanovic se distanciou das aplicações históricas das profecias de Daniel e, portanto, do seu significado simbólico.
Para ele, os 1260, os 1290 e os 1335 dias aparecem em progressão numérica, o que levaria o leitor do livro a saber que uma aparente “demora” quanto à expectativa do fim é possível do ponto de vista humano. Portanto, Deus não teria revelado a Daniel uma sequência histórica de suas ações, mas apenas informado que suas batalhas contra as forças espirituais antagônicas durariam mais do que Daniel e os crentes poderiam prever. Porém, nesse caso, Daniel seria um livro sem nenhuma ênfase profética e escatológica.
Depois de analisar essas perspectivas, podemos concluir que a abordagem simbólica de Daniel 12:11 e 12 ainda é a interpretação mais plausível. Ela respeita a estrutura literária, contextual e temática do livro de Daniel. Conforme enfatizou Jean Zukowski em sua tese defendida na Universidade Andrews em 2009, os anos de 508 e 538 se destacam como datas-chave em que “os modelos de relacionamento entre igreja e estado e entre governantes e clérigos mudaram”.
A interpretação adventista tradicional das profecias de Daniel continua válida e faz parte da nossa identidade escatológica. Contudo, aproveitando o conceito de “verdade presente” tão caro ao adventismo, ela pode ser refinada e se beneficiar da mentalidade pós-moderna para apresentar novos aspectos e apoiar uma contínua expectativa da segunda vinda de Jesus. [Créditos da imagem: Fotolia]
ABNER F. HERNANDEZ está cursando o doutorado em história da igreja na Universidade Andrews

domingo, 28 de junho de 2015

Só o Pai é Deus? De maneira alguma! (João 17:3)


JesusCristoJoão 17:3 afirma que Deus Pai é o único ser absolutamente divino? Não é isso o que o texto diz. Leiamos:
“E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste”.
Alguns têm usado essa declaração de Jesus para negar a absoluta divindade de Cristo, tão bem definida em Isaías 9:6, que O chama de “Pai da Eternidade”; em Atos 3:15, que o qualifica como “Autor da Vida”; e tão claramente definida (entre muitos outros textos) em Colossenses 2:9, onde Jesus é apresentado como um ser absolutamente divino em quem “habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade”.
Todavia, se em João 17:3 Cristo estivesse dizendo que o Pai é “o único Deus verdadeiro” em comparação com Ele mesmo, teríamos de supor que Cristo é um deus falso. Percebe o grande problema? Cristo estaria depondo contra si mesmo, pois a Bíblia diz que Ele é Deus (Jo 1:1-3; Rm 9:5). Não tem como a Bíblia chamá-Lo de Deus e Ele mesmo afirmar que só o Pai é verdadeiro (e Ele, Jesus, falso), entende? Deus sempre será a verdade (Jr 10:10) e Cristo faz parte dessa divindade que é a verdade (ver Jo 14:6).
Em sua oração sacerdotal em João 17, Jesus não está contrastando Sua natureza com a do Pai, e sim contrastando a natureza divina do Pai com os falsos deuses pagãos. Ele está focando “a necessidade de as pessoas reconhecerem o único Deus verdadeiro em oposição aos ídolos e outros falsos deuses”, e também enfatiza nesse texto “a necessidade de reconhecê-Lo como meio de Salvação”[1].
Quando a Bíblia compara a Jesus com o Pai, ela não apresenta apenas Deus Pai como Deus Verdadeiro. Veja o que o mesmo autor do evangelho de João escreveu em sua 1ª Carta:
“Sabemos também que o Filho de Deus veio e nos deu entendimento, para que conheçamos aquele que é o Verdadeiro. E nós estamos naquele que é o Verdadeiro, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna” (1Jo 5:20).
Note que nesse texto o apóstolo João chama a Jesus de Deus verdadeiro e fonte de vida eterna.
Por isso, os antitrinitarianos (os que são contra a doutrina da Trindade) não deveriam usar João 17:3 para negar a absoluta divindade de Jesus Cristo. Fazer isso é desrespeitar o texto bíblico e tirar dele uma ideia que não existe.
Além disso, noutro contexto, em João 10:30, quando Jesus comentou sobre Sua relação com o Pai, Ele se colocou no mesmo nível de Deus, ao ponto de quererem apedrejá-Lo por blasfêmia (Jo 10:31-33). Em João 10:30 Ele afirmou claramente que Ele e o Pai eram “um” no sentido de serem unidos tanto em amor quanto na essência divina (veja-se também Colossenses 2:9).
Esse conceito de unidade essencial entre as Três Pessoas da divindade combate qualquer tipo de politeísmo porque, ao contrário da doutrina bíblica da Trindade, que ensina existir Três Pessoas distintas que formam a divindade e que possuem a mesma essência (Mt 28:19; Jo 14:16; 2Co 13:13, etc), o politeísmo ensina existirem deuses com diferentes essências divinas e distintos poderes. Enquanto que a doutrina da Trindade iguala as Pessoas que formam a divindade, o politeísmodesiguala, apresentando um deus melhor e mais poderoso do que outro.
Desse modo, o conceito de Triunidade encontrado na Bíblia nada tem a ver com politeísmo, como afirmam alguns que estão desinformados em relação ao assunto.

DOIS TIPOS DE TEXTOS SOBRE JESUS
Algumas pessoas sinceramente não sabem (outros, ignoram) que na Bíblia há pelo menos dois tipos de versículos que tratam da natureza de Cristo. Precisamos considerá-los juntos, se quisermos aprender tudo aquilo que nos foi revelado sobre a Pessoa de Jesus na Bíblia.
Nas Escrituras encontramos textos que mostram o Salvador no mesmo nível que Deus Pai (Colossenses 2:9) e versos que O mostram numa condição inferior ao Pai (João 14:28).
– Os versículos que colocam a Cristo no mesmo patamar que as demais pessoas da divindade se referem a Ele em Sua natureza divina.
– Já os versos que apresentam a Jesus numa condição “inferior” se referem a Ele em Sua condição encarnada, na qual se encontra subordinado ao Pai.
Essa subordinação de Cristo é apenas funcional e não essencial. Devido à Sua encarnação, Ele assumiu uma função inferior ao Pai, limitando voluntariamente até mesmo a própria Onisciência (Mt 24:36). Porém, na sua essência como Deus, Cristo em nada difere do Pai, tanto que reassume totalmente Sua Onisciência após Sua ascensão: “[…] para que o coração deles seja confortado e vinculado juntamente em amor, e eles tenham toda a riqueza da forte convicção do entendimento, para compreenderem plenamente o mistério de Deus, Cristo, em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos”.
Resumindo, podemos dizer, como Geisler e Howe[2]:
Ilustração - Divindade de Cristo
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Espero que essas breves considerações tenham lhe ajudado. Caso queira se aprofundar ainda mais no estudo da doutrina da Trindade, recomendo umas poucas obras que lhe serão bastante úteis:
– A Trindade: como entender os mistérios da pessoa de Deus na Bíblia e na história do cristianismo, de Woodrow Whidden, Jerry Moon e John W. Reeve. Pode ser adquirida com a Casa Publicadora Brasileira pelo site www.cpb.com.br ou pelo telefone 0800-979 0606.
– A Doutrina do Espírito Santo no Antigo e Novo Testamento, de Stanley M. Horton. Esse material foi publicado em língua portuguesa pela Casa Publicadora das Assembleias de Deus (CPAD) e pode ser adquirido no site www.cpad.com.br
– Evangelismo, de Ellen G. White. Nas páginas 613 a 617 ela apresenta declarações belíssimas sobre a divindade de Cristo e a personalidade e divindade do Espírito Santo. O material também é da Casa Publicadora Brasileira.
– A Teologia Sistemática de Norman Geisler também poderá ser bastante útil em sua pesquisa. No vol. 1, cap. 12, intitulado “A Unidade e a Trindade de Deus”, há inclusive uma seleção de textos que comprovam a identificação de Cristo com Javé do Antigo Testamento. Essa obra também pode ser adquirida através da CPAD.
Um abraço e que Deus lhe abençoe ricamente!

PRESENÇA SUTIL


Marcelo Augusto de Carvalho

EXODO. 20.4: esculturas.

Você já conheceu alguém muito rico, inteligente ou até importante mas que deseja ficar no anonimato, ser discreto ou quase imperceptível? Nestes tempos em que todos querem ser famosos e aclamados pelas multidões, isto até parece lenda. Mas por incrível que possa parecer a Pessoa mais importante do Universo é assim. Deus prefere ser uma PRESENÇA SUTIL em nossa vida. Vejamos como.

§  Este mandamento fala de nossa perspectiva de Deus.
§  Como O vemos? Qual é a dimensão do nosso Deus? Podemos fazer projeções e formar imagens de Deus ou de Jesus? Como Ele se revela? Não é natural que concebamos representações ideológicas ou projeções religiosas de Deus?
§  O que é uma imagem?  - Denota uma representação material de um animal, de um ser humano ou de uma forma mista, usada para propósitos de adoração; para denotar uma relação entre Deus e o homem.
§  É a representação de alguma coisa real ou irreal, física ou metafísica, por desenho, pintura, escultura ou projeção humana.

Este mandamento declara explicitamente:
1.    De que natureza Deus é e com que modalidade de culto deve ser adorado e honrado, para que Lhe não ousemos atribuir algo sensório.
2.    Deus não quer que Seu legítimo culto seja profanado mediante ritos supersticiosos. Por isto Ele afasta totalmente as insignificantes observâncias materiais que nossa mente tão finita  costuma inventar quando O concebe.
3.    Seu legítimo culto é espiritual, e estabelecido e instruído por Ele mesmo, e não pelos desejos humanos de cultuá-Lo.
4.    As formas mais grosseiras de idolatria são: idolatria exterior,  e um culto feito sob o “que o ser humano acha que deve ser” e não como Ele gostaria que fosse.

OBS- Alguns pastores, professores e líderes da igreja conceituaram o culto divino como algo que deve ser “atrativo para os jovens”. Eles querem fazer um culto gostoso aos sentidos humanos, para que não faltem adoradores na casa de Deus. Mas seu enfoque está equivocado. Porque?
a) O culto não é feito para o adorador e sim para O adorado. Não importa quantos adoradores há em nossa igreja no Sábado pela manhã. É claro que seria muito bom que nosso templo estivesse sempre lotado. Mas o que mais deve nos comover é se Deus realmente estará conosco e aceitará “esse nosso culto”. O homenageado é Deus e não os ouvintes. Se o culto é um presente a Ele, devo oferecê-lo como Ele deseja. Ë assim que fazemos quando presenteamos a alguém.
b) A parte principal do culto não é a música, as apresentações que possam existir ou falatórios bonitos, mas a adoração espiritual a Ele. O culto também não é primordialmente evangelístico, mas para adoração. E o AT mostra-nos isto claramente. O templo de Jerusalém não possuía o aspecto evangelístico que hoje estamos querendo colocar em nossos cultos. Os pagãos deveriam assistir os cultos no templo, e impressionados com a grandeza, misericórdia e poder de Jeová, se converteriam a Ele e passariam também a adorá-lo com os israelitas.  Talvez hoje, o nosso culto seja tão fraco no evangelismo por este motivo: estamos apresentando excelentes conjuntos, lindos sermões, mas nunca a adoração verdadeira que o Criador merece. Palavras ou música não transformam ninguém, se antes a Pessoa do Criador não for apresentada.

COMO OBSERVAR ESTE MANDAMENTO?

1-  Jamais devemos fazer deuses fundidos, isto é, construir deuses ou imagens divinas através do processo de fundição. Êxo. 34.17.
a)  também são proibidas imagens de seres vivos, como animais, homens ou mulheres. Deut. 4.15-18.  Israel chegou a usá-las. I Reis 12.28-31.
2-  Os passos que nos levam à idolatria não começam quando fundimos deuses, mas quando às costas a Deus. Lev. 19.4. Portanto todos nós somos, em potencial, idólatras. Para não cair  neste pecado, precisamos vigiar sempre, procurando desenvolver um relacionamento genuíno com Jesus a cada dia.
3-  Jamais devemos reverenciar as estrelas, o sol e a lua. Deut. 4.19-20.
A astrologia (arte metafísica de adivinhar por meio de astros)  não tem nenhuma ligação com a astronomia (ciência moderna e avançada que estuda a constelação física das estrelas e o universo em geral). A astrologia não tem nenhuma base científica.
4- O casamento misto (cristão com incrédulo) pode nos levar à idolatria.
a)  Na vida a dois, pela associação diária, o cristão vai perdendo seus valores e conceitos espirituais. Perde a noção do certo e do errado, e facilmente passa a adorar coisas e idéias contrárias ao primeiro mandamento.
b) O incrédulo é incrédulo porque vive para este mundo e ao que ele oferece. Não deseja viver conforme as expectativas de Deus. Valoriza então como seu deus o dinheiro, os prazeres do mundo, a posição, etc. O cônjuge cristão poderá facilmente passar a adotar esses princípios errados em sua vida também.
c)  EX- os filhos de Sem, as filhas de Ló, os israelitas, Sansão- todos estes são exemplos desta verdade bíblica.
d) “Ligaram-se matrimonialmente com os cananeus, e a idolatria espalhou-se como uma praga por toda a terra”. Patriarcas e Profetas, pág. 582. Salm. 106. 34-40.
5- As associações, convivência com incrédulos e mesmo acordos de todos os tipos podem levar o cristão ao mesmo nível do cônjuge casado com um incrédulo. Os motivos acima citados são válidos para ambos os casos. 
a) Israel, quando entrou em Canaã associou-se aos cananeus em vez de destruí-los. Com o tempo tornaram-se piores do que os ímpios cananeus.
1-  Ezequiel traz uma nova dimensão a este mandamento, dizendo que ele deve ser observado no coração. Ezeq. 14.1-11.
a)  os deuses do coração não são visíveis, passivos de disciplina da sociedade, ou da igreja, mas certamente nos desviam do Senhor e contaminam o pensamento e a vida cristã, tanto quanto os ídolos visíveis o fazem.
6- Jamais devemos aceitar adoração humana.
a)  Paulo e Barnabé guardaram este mandamento, sobretudo quando não aceitaram serem adorados pelos homens e mulheres de Listra. Atos 14. 8-18.
7- A conversão deve levar o novo crente a abandonar os ídolos e os ritos e livros de magia, que também fazem parte da idolatria.
a)  Paulo levou os efésios a este ponto quando os evangelizou. Atos 19.18-19.
b) Deus deseja nossa conversão das ferraduras, dos pés de coelhos e de todas as outras formas de superstição, projeções humanistas e idolatria.
8- Buscar primeiro o reino de Deus, antes de todas as demais coisas. Mat. 6.33.
a)  No sermão do monte, Jesus, o grande doador e intérprete da Lei, mostrou como observá-la. E o capítulo 6 de Mateus nos mostra como Ter a Deus em primeiro lugar em nossa vida, e como não possuir outros deuses além dEle.
b) A comunhão pessoal, a santificação diária, e a dedicação a Seu serviço nos educarão a colocá-Lo sempre em primeiro lugar em nosso viver. E nossa visão será desviada das coisas materiais e temporais (trabalho, dinheiro, sobrevivência, status, posições e riquezas- deuses naturais do coração humano) para Ele, nosso Criador, Redentor e Deus.

CONSEQÜÊNCIAS DE NÃO OBSERVARMOS ESTE MANDAMENTO.

1-  Maldito e abominável a Deus será, e o povo dirá amém. Deut. 27.15.
2-  Castigo, exílio, vergonha e destruição total desta vida. Quem não toma cuidado com a idolatria visível ou invisível, mais cedo ou mais tarde terá sua vida destruída como conseqüência natural de seu pecado. Perderá tudo o que conseguiu para sua prórpia destruição. (Dinheiro, emprego, imóveis, móveis, posições, fama, prazeres, e pode ser que até mesmo a família, a saúde e a vida).
a)  Israel (as 10 tribos). Todos os reis de Israel tanto toleraram a idolatria com incentivaram-na no país, e alguns, como Acabe, casaram-se com mulheres de outras nações, idólatras, para que sua idolatria fosse completa. Sua principal forma de idolatria eram os postes-ídolos e árvores ao lado do altar ou colunas. Resultado: bem mais cedo do que Judá, em 722  A.C. Israel foi invadido, levado cativo e praticamente destruído pelos assírios. Nunca mais as 10 tribos do norte figuraram em algum lugar como uma nação independente. Muitos foram mortos, muitas famílias foram destruídas ou separadas para sempre, além do que entraram num sincretismo religioso do qual nunca mais se separaram.
b) Judá. Houve os chamados reis maus, que fizeram o que Deus não queria e ainda apoiaram a idolatria; os reis bons, que fizeram o que Deus queria, mas toleraram a idolatria; os reis excelentes, que fizeram o que Deus queria e ainda derrubaram os lugares altos e proclamaram reformas no meio do povo- Ezequias e Josias. Resultado: demoraram bem mais tempo do que Israel para irem ao cativeiro, mas ele veio, em 605 e depois definitivamente em 586 A.C., quando Jerusalém foi destruída, o belíssimo templo de Salomão virou cinzas e todo o povo, a não ser os inválidos da sociedade foram deportados para a Babilônia. Mas, devido a esta relativa devoção, Deus ainda lhes deu nova chance de continuarem sendo Seu povo, e de cumprirem Seus desígnios.
c)  Depravação total do caráter. EX- os cananeus, nos servem como exemplo de tudo o que acontece com os povos idólatras do mundo.
- Tornaram-se semelhantes aos deuses que adoravam. Sal. 115.8. Tornaram-se então sanguinários, cruéis, sensuais, promíscuos e desenfreados.
- Baal, e Astarote, sua esposa, eram seus principais deuses. Os Baalins eram imagens de Baal. Asera era um poste sagrado, cone de pedra, ou um tronco de árvore, que representava a deusa.
- Os “Lugares Altos”, como já vimos seu principal lugar de adoração, continham imagens e placas ornamentais de Astarote, exibindo, grosseriramente exagerados, os órgãos sexuais, destinados à provocação de desejos sexuais.
- Seus sacerdotes, escolhidos a dedo e muito honrados e venerados, eram homossexuais, sodomitas e prostitutas.
- Haviam as sacerdotizas e sacerdotes que viviam para estas funções. Os cananeus eram povos agrários, e dependiam totalmente da chuva, do sol e dos campos para viverem. Por isto, cultuavam Baal, seu maior deus, mantendo relações sexuais com as sacerdotizas. Ejaculavam seus espermatozóides na terra para que seu deus lhes enviasse a chuva e a fertilidade que precisavam, tanto na agricultura como no casamento.
- Havia também o costume de, quando a menina tivesse sua primeira menstruação (menarca), era levada ao templo para oferecer sua virgindade a serviço dos deuses, sendo usada sexualmente pelos homens que iam ao templo para adorar. Algum tempo depois voltava para seus pais para seguir sua vida normal.
- O menino, ao atingir a idade de 12 anos, era feito “efebo” de um homem adulto, que bem poderia ser casado ou não. Acreditavam que tendo relações homossexuais com homem mais velho, e andando com ele, o menino desenvolveria suas capacidades naturais, amadureceria para as responsabilidades futuras, e sua masculinidade seria fortalecida. Portanto, era muito comum os homens serem bissexuais.
- Em muitas oportunidades o filho primogênito poderia ser sacrificado aos deuses. A Baal; quando se ia construir uma casa, cujo corpo da criança era metido no alicerce, a fim de trazer felicidade para o resto da família; e outras ocasiões de agradecimento.
- Por isto não nos choca a idéia de Deus em destruí-los completamente.
FONTE: Manual Bíblico, H.H. Halley pág. 129. Editora Vida Nova.
3-  A idolatria, além de cortar nosso relacionamento com Deus, nos deprava tanto que nos tornamos covardes e incapazes diante dos desafios da vida.
- foi o que ocorreu com os israelitas no tempo dos juízes. Não tinham coragem nem força de enfrentarem seus inimigos em nome do Senhor. ( Leia todo o capítulo “Os Primeiros Juízes”  do livro Patriarcas e Profetas, Ellen White, CPB).
4- A idolatria dos pais certamente afetará o caráter dos filhos, levando-os também às mesmas conseqüências.
a) Israel: “... os pais haviam preparado o caminho para a apostasia de seus filhos. O desacato às instruções do Senhor disseminou sementes de males, as quais continuaram a produzir amargos frutos por muitas gerações”.  Patriarcas e Profestas, pág. 583.
5- Perda desta vida, como da vida eterna. I Cor. 6.9-10.
a) EX- o jovem rico: perdeu suas riquezas na destruição de Jerusalém, bem como sua salvação eterna.  Desejado de Todas as Nações, pág.

CONSEQÜÊNCIAS POSITIVAS PARA QUEM OBSERVAR ESTE MANDAMENTO.
1.    Deus concede Sua eterna misericórdia a quem observa este mandamento. Êxo. 20.6.
2.    Sua misericórdia renova-se a cada dia sobre o fiel. Joel 2.12-13.
3.    O fiel torna-se santo, puro e semelhante ao Criador. Deut. 4.15-19. EX- Gideão, Josias, Ezequias e Daniel e seus 3 amigos.

APÊNDICE
PORQUE O HOMEM FAZ IMAGENS DE DEUS? Porque é tão natural para o homem fazer projeções da divindade? Como explicar a idolatria em todas as épocas, em todas as civilizações e em todos os homens no mundo? Por que o homem não se dá por satisfeito só com Deus?
ü  Deus é invisível, mas as imagens são visíveis. Através do visível, o homem busca segurança. Psicologicamente é muito mais fácil dominar o visível do que o invisível.
ü  Um deus visível pode ser alterado, modificado, manipulado. E o homem que cria uma imagem mais cedo ou mais tarde  vai abandoná-la. Como este deus é impessoal, é fácil desistir dele pois não há relacionamento, e sem relacionamento não há compromisso.
ü  Como as imagens podem ser manipuladas, fica confortante a idéia de mudar meu deus segundo minhas aspirações e planos egoísta. Na verdade, a religião do idólatra é SEU PRÓPRIO EU.

PODEMOS USAR FIGURAS, ILUSTRAÇÕES VISUAIS PARA REPRESENTAR AS LIÇÕES DA BÍBLIA?
ü  Não há qualquer problema, desde que estas ilustrações não estejam desvinculadas com a mensagem bíblica, e que não sejam encaradas  como “realmente foi assim que ocorreu”, ou que sejam usadas para veneração.
ü  Deus Pai e Deus Espírito Santo jamais devem ser representados graficamente por meio de imagens, pois Ele não podem ser concebidos pela mente humana, e fazê-lo, diz o segundo mandamento, é pecado. Jesus pode ser concebido porque tomou a forma humana, e nesta dimensão podemos até representá-lo. Mas jamais pensarmos em Sua forma divina.
ü  As ilustrações devem ser usadas com fins educativos, para que a exposição da verdade fique mais fácil e atraente para o ouvinte.
 Fonte: A ética dos 10 mandamentos.

APELO: DEUS É INCOMPARAVELMENTE E DEUS. É ESPÍRITO E IMPORTA QUE ASSIM SEJA ADORADO-  João 4. 20-24.
FONTE: A ética dos 10 mandamentos, H.U.Reifler, Vida Nova 

Pr. MARCELO AUGUSTO de CARVALHO SP 1997

http://www.4tons.com/7sermao.htm