Texto base: Gn 1-2:3
Objetivo: Mostrar o
relato da criação com algo verídico e confiável e qual o é o objetivo desse
relato.
O primeiro
livro da bíblia é o Genesis (origem ou fonte) recebe esse nome da septuaginta
(LXX) que foi uma tradução dos escritos hebraicos para a língua grega feita por
72 sábios. No texto hebraico ele recebe o nome de b’reshith (em princípio) e o
Talmude judaico o chama de “Livro da criação do mundo.
Este livro
junto com êxodo, levítico, números e deuteronômio são chamados de pentateucos
ou torá (lei) e não trazem o nome do seu autor, contudo a tradição tem
atribuído sua autoria a Moises. No novo testamento Jesus chama o livro de Êxodo
como o livro de Moises (Mc 12:26) e como ele é continuação de Genesis ambos
possuem o mesmo autor.
Considerando
a cronologia bíblica e as evidencias internas de Gênesis é mais provável que o
livro tenha sido escrito por Moises em algum momento do século 15 a.C e Moises talvez
tenha se utilizado, além de orientação divina histórias, notas, registros e
tradições genealógicas da antiga mesopotâmia, retirando a verdade no meio
deturpação criada pelos antigos povos. Criando assim “uma história oficial”
segundo Deus.
Alguns estudiosos têm se
questionado quanto ao estilo de escrita do livro de Genesis, contudo, ela só
pode ser prosa poética, pois poesia usa recorrentemente metáforas ao contrario
deste livro.
O livro de Gênesis pode ser
divido em 12 partes servindo como divisão a palavra “toledote” que significa
gerações/ historias e aparecem nos seguintes textos: gn 2:4; 5:1; 6:9; 10:1;
11:10,27; 25:12,19;36.1,9 e 37:2
A primeira parte (Gn 1-2:3) não
utiliza a palavra toledote, mas é uma sessão que trata do relato da criação.
O relato da criação tem sido
questionado a vários anos quanto a sua veracidade. O principal argumento é a
semelhança entre o relato bíblico e os vários mitos mesopotâmicos, dentre os
quais o Enuma Elish que foi dividido em 7 tabletes e cada um deles conta uma
parte da criação como o Gênesis 1 divide a criação em 7 dias.
Antes das descobertas dos textos
mesopotâmico, os críticos diziam que o relato do Genesis era fruto da mente
judaica e depois delas vários críticos acusaram os judeus de terem plagiados os
mitos dos povos antigos, contudo outros se levantaram e mostraram que não há
plagio, mas os relatos vinham de uma tradição antiga comum e não de uma cópia.
Contudo, também há uma grande
diferença do relato bíblico com os mitos mesopotâmicos em pontos essenciais.
Nos mitos, a criação se dava após uma grande batalha entre deuses e elevava um
deus acima dos demais que, na maioria das vezes, criava o homem para ser seu
escravo e fazerem coisas que os deuses não queriam. Enquanto o relato bíblico,
não começa com uma batalha e apresenta um único Deus que criou o ser humano e
colocou-o para governar a terra.
As semelhanças e as diferenças
mostram que um relato antigo foi passado de geração em geração até que Moises
escreveu fazendo um relato oficial divino.
Infelizmente, muitos ainda tentam
invalidar o texto bíblico utilizando uma interpretação alegórica fazendo os
relatos de Gênesis 1-11 serem considerados como mitos e adotam o evolucionismo
como o meio que Deus trouxe a vida ao planeta e lamentavelmente até cristãos
têm se denominados cristãos-evolucionistas.
Mesmo que alguns tentem fazer
essas ligações a verdade é que é impossível faze-lo. Pois querendo ou não eles
têm que deixar de acreditar de partes da bíblia e colocam questionamentos sobre
a base do cristianismo que é a morte redentora de Jesus, pois se a morte já
existia, se o relato de Adão e Eva é um mito então não havia motivo para Cristo
morrer para salvar a humanidade, pois não houve um pecado original.
O cristão deve interpretar a
bíblia como ela é, sem questiona-la e colocar qualquer argumento a luz da
bíblia e não o contrário. A bíblia é bem clara: “No princípio criou Deus os
céus e a terra” (Gn 1:1). Deus criou e não fez evoluir. Esta deve ser a certeza
do cristão, Deus, todo poderoso, criou tudo que existe e os mantem dia após
dia.
Hoje veremos o relato da criação
que está de Gênesis 1:1 a 2:3. O relato da criação tem diversas repetições
importantes como: “disse Deus”, “houve tarde e manhã” e “viu Deus que tudo era
bom”. Além disso, ele traz diversas ligações entre os dias criando uma
estrutura complexa e muito bem organizada.
Os acontecimentos de cada dia da criação
foram:
1ª dia (1:3-5):
a)
Disse Deus: haja (Raiah) luz e ouve (Raiah) luz;
b)
Viu Deus que era bom
c)
Separação (badal) entre (bein) dia e noite
d)
Chama (qara)
a luz dia e as trevas noite
e)
“houve
tarde e manhã do primeiro dia.
f)
A luz descrita no texto emanava de Deus. E o dia
era contado através da rotação da Terra.
2º dia (1:6-8):
a)
Disse Deus: haja (raiar) firmamento (raquia) e
ouve separação (badal) entre (bein) aguas e aguas.
b)
Não houve: viu Deus que era bom
c)
Ouve separação (badal) entre (bein) aguas e
aguas
d)
Chamou (qara) o firmamento céus
e)
Houve tarde e manhã do segundo dia.
f)
Podemos perceber que é utilizado praticamente os
mesmos verbos que são: haja (raia), separar (Badal) entre (bein), chamar (qara).
Dessa forma pode-se perceber que há uma intima ligação entre o primeiro e
segundo dia.
3º dia (1: 9-13):
a)
Terceiro dia Disse Deus: Ajuntem-se (qavah Ele
não utiliza o verbo raiar) as aguas e apareça (Raah a mesma palavra utilizada
no primeiro dia em “viu Deus” Raah elohim, veja que Ele não diz haja terra, mas
apareça, isso ocorre porque a terra já existia e simplesmente apareceu, tornou –se
visível) porção seca (Yabbashah terra seca, sem vida).
b)
Chamou
(qara) de Terra (Erets) a porção seca e de mares (Yam) o ajuntamento das aguas,
essa é a última vez que esta palavra aparece na criação.
c)
Viu que era bom
d)
Disse
Deus: Produza a terra (erets) relva, ervas que deem semente, e árvores
frutíferas que, segundo as suas espécies, deem fruto que tenha em si a sua
semente, sobre a terra.
e)
E assim foi.
f)
Mais na
frente o texto repete “viu (raah) Deus que tudo era bom”. Essa expressão
aparece no primeiro dia não aparece no segundo dia, mas aparece no terceiro
duas vezes.
g)
Também é usado pela primeira vez “segundo a sua
espécie” e “assim foi” que é muito importante.
h)
Repetiu “houve tarde e manhã”, desta vez, do
terceiro dia.
4º dia (1: 14-19):
a)
E disse Deus: haja luminares no firmamento do
céu,
b)
E assim foi.
c)
O objetivo dos luzeiros era iluminar e ficariam
no firmamento.
d)
Também se repete “viu Deus que era bom” e “foi
tarde e manhã”.
e)
Objetivo foi mostrar que o sol e a lua são
criações e não divindades como os outros povos pensavam.
5º dia (1: 20-23):
a)
Criou as aves e os animais marinhos;
b)
Segundo a sua espécie;
c)
Assim foi
d)
Repete-se “viu Deus que tudo era bom” e “foi
tarde e manhã.
6º dia (1: 24-31):
a)
E disse
Deus: Produza a terra seres viventes (animais domésticos, répteis, e animais
selvagens)
b)
Segundo as suas espécies;
c)
Assim fez
d)
E assim foi.
É interessante notar que a terra apareceu no segundo dia e torna-se parceira de
Deus na criação das plantas no 3º dia, dos animais terrestres e do homem no 6º
dia.
e)
E viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era
bom.
f)
Fez o homem e a mulher a sua imagem e semelhança
g)
Viu todo a sua obra, e era muito bom
h)
E foi a tarde e a manhã do sexto dia
7º dia (2:1-3):
a)
Descansou
b)
Abençoou
c)
Santificou
Comparando os dias da criação
pode-se perceber ligações entre eles que são:
O primeiro dia, está ligado ao
segundo através dos verbos que foram utilizados e também está ligado ao quarto
dia com relação a luz que iluminou o primeiro dia e os luzeiros que tinham o
objetivo de iluminar.
O segundo dia, está ligado ao
primeiro pelos verbos, ao quarto pois os luzeiros foram colocados no
firmamento, ao quinto dia porque as aves voaram no firmamento dos céus e os
peixes na aguas.
O terceiro dia está ligado ao
segundo, porque as aguas do firmamento são chamadas de mares e ao sexto dia,
pois as plantas do terceiro dia serviram de alimento para os animais criados no
sexto dia.
O quinto dia se conecta com o
sexto, pois nesses dias foram criados seres vivente e os dois se conectam com o
terceiro dia pela expressão “segundo a sua espécie”.
Essas ligações são importantes
para se perceber que há uma progressão em cada dia de uma forma que torna o
texto indivisível e um bloco inseparável e muito bem conectado.
Porque é importante conhecermos
isso? Simplesmente para conhecermos qual é o objetivo de Genesis 1. Mas para
conhecer o objetivo do texto, devemos voltar ao verso 1 e 2.
“No princípio criou Deus os céus e a terra. A terra era sem
forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo, mas o Espírito de Deus pairava
sobre a face das águas.”
Mas, para compreender o texto
devemos conhecer o texto no original, porque existem certos detalhes que só
podemos perceber quando olhamos os originais.
Um destes
detalhes são as palavras sem forma (תֹ֙הוּ֙) e vazia (וָבֹ֔הוּ). Essas palavras tem o significado de “caos, desolação, deserto”.
Essa ideia de toru (תֹ֙הוּ֙) como deserto mostra o inicio do processo.
Algo bem sutil do texto no
original que está sendo utilizado em Gn 1 é o “vav” consecutivo. O vav (ו) é o correspondente
do nosso “e” quando é usado com o verbo o texto continua normalmente, mas
quando é utilizado com um substantivo ou adjetivo pode significar que o texto
seguinte irá explicar o texto anterior. E em todo Genesis 1 o vav consecutivo
ligado ao substantivo aparece apenas uma vez, o que é até estranho, pois
normalmente aparece várias vezes.
O Vav consecutivo aparece em: “e
a terra era sem forma e vazia” (וְהָאָ֗רֶץ
הָיְתָ֥ה תֹ֙הוּ֙ וָבֹ֔הו ), ou seja, o que vem a seguir disso é uma
explicação da terra sem forma e vazia, era desértica, sem vida e isso é
importante? Sim, Porque a partir do Gn 1:3, Deus começa a transformar a terra
em um lugar habitável, com vida, então, qual o processo que está desencadeando
essa pequena explicação que parou o texto? Ele está dizendo o que Deus vai
fazer a partir dali. O que ele criou, como criou, porque Ele criou e qual o
objetivo do texto. Deus fez algo que não era habitável em algo habitável, Ele
fez algo que não tinha vida ter vida.
Então qual o sentido da palavra
“bara” (criar) em criou Deus o céu e a terra? É no sentido de transformar algo
inabitável em um lugar habitável. Pois como “bara” só é aplicado a Deus, da
mesma forma, só Ele pode fazer algo que não tem vida, ter vida. E esse é o
processo do texto o que vai culminar na forma mais elevada de vida que é o ser
humano. Mas por que o homem? Por que o autor faz questão em dizer que o homem é
a imagem e semelhança de Deus? Porque é diferente, tem um diferencial, um
processo que culmina em uma forma mais complexa de vida que é a imagem e
semelhança de Deus.
Depois de tudo isso, mostrar o
que criou, porque criou, como criou e várias repetições no texto ele quebra a
estrutura literária para dizer que ele descansou no sábado.
“Assim foram acabados os céus e a
terra, com todo o seu exército. Ora,
havendo Deus completado no dia sétimo a obra que tinha feito, descansou nesse
dia de toda a obra que fizera. Abençoou
Deus o sétimo dia, e o santificou; porque nele descansou de toda a sua obra que
criara e fizera” (Gn 2: 1-3).
Quando ele quebra a estrutura literária
ele chama a atenção para algo muito importante que é o sábado. O sábado é a culminância
da semana da criação.
Então qual o propósito de Genesis
1? É mostrar a transformação de algo que era inabitável e foi tornado habitável
e principalmente, enfatizar um tempo divino onde o próprio Deus descansou. O livro
de Genesis 1:1-31 mostra seis dias da criação e 2: 1-3 mostrar ação de Deus
para ele mesmo no sétimo dia, Ele descansa e por isso Ele abençoa e santifica.
É por isso que o autor monta uma estrutura que mostra a criação em seis dias e
quebra a estrutura para mostrar que há um dia mais importante que os outros que
é o sábado o dia que Deus descansou.
https://www.youtube.com/watch?v=jzur7xjqi2M&t=3s
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